O VIDEIRINHO

segunda-feira, setembro 22, 2008

EUTANÁSIA

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Não se sabe porque há tanta gente que, aceitando que se tem que morrer no dia menos pensado, pensa tão pouco nesse dia e nega-se a ter a menor intervenção possível nesse dia.

A palavra eutanásia, que significa boa morte, entendemo-la todos como um encurtamento voluntário da vida de quem sofre padecimentos incuráveis, mas também há que incluir os que a existência lhes parece um sofrimento curável.

Parece-me que em Espanha vão debater o que alguns chamam o suicídio assistido e é de prever que as discussões sejam azedas, como ocorre sempre quando intervêm posturas políticas ou razões religiosas, mais ou menos razoáveis.

Por que não se pode debater um assunto tão importante, que além do mais pode constituir o nosso último tema de discussão?

Debater, ainda que tenha a acepção de guerrear, é discutir sobre uma coisa e não nos devemos negar a discutir sobre a coisa mais indiscutível, que nos passa a todos na nossa vida, que é a morte.




Os que se escandalizam ante a possibilidade, de que se regule o direito de um enfermo, ou alguém que está no seu perfeito juízo, de receber ajuda para decretar o fim dos seus dias terrestres, devem ter em conta algo fundamental: que isso não será obrigatório.

A declaração de cansaço ou de aborrecimento não será como a declaração do IRS, que nos afecta a todos.

Ficarão isentos aqueles aos quais o proíba a sua religião, como ocorre com o consumo de álcool ou de presunto pata negra, inclusive de pata branca.

Se os nossos vizinhos aprovarem a legalização, suponho que nada têm a temer, os que consideram mais piedoso, que continue a viver uma pessoa cega e sem mãos, que facilitar-lhe - a reiteradas insistências suas - a sua última viagem.

O grande Blanco White(*) escreveu: "Deus é amor".

Para acrescentar depois: " O sinistro o pinta, o difama".



(*)

José María Blanco e Crespo, aliás, Blanco White (1775-1841), poeta e teólogo espanhol.



10 comentários:

Daniel disse...

José Torres

A regulamentação da morte choca, porque há os que, simplesmente, querem morrer. Para os que já estão a sofrer o a fazer sofrer, em vida, por vezes assistida, não seria preferível a morte?
Posso falar por mim, que gosto de viver, mas prefiro uma morte, porque tem de ser, do que uma vida sem esperança, em sofrimento!
Um abraço,
Daniel

Maria disse...

Acho o cúmulo da hipocrisia tanta tinta e tempo se tenha gasto a debater o aborto e sobre a eutanásia, nem um levantar de discussão sequer. Já que é para se legislar e meter bedelho na vida alheia, então que se comece do principio e vá até ao fim !

Carlos Rebola disse...

Amigo José Torres

A eutanásia "boa morte" a ser legalizada deve pressupor a vontade e convicção de quem a solicita. Penso ir ao encontro da "Maria" dizendo que há muita hipocrisia em tudo isto. Senão vejamos em vários países que provavelmente recusam legalizar a eutanásia legalizaram o aborto que em última análise é feito sem sequer se saber por impossibilidade a vontade do abortado. Sei que é uma questão complexa, mas devemos ter em conta a vontade dos que são obrigados a viverem uma "vida" inviável. Se é legal na guerra, matar contra a vontade das vítimas porque não deveria ser legal ajudar a ter uma morte digna a quem já não suporta a vida e não tem qualquer possibilidade de lhe pôr o termo desejado, há uma vontade consciente, que deveria ser respeitada. Será que isto (ajudar a morrer com dignidade) não cabe no conceito de caridade?
Que ao menos as "azedas" discussões e prováveis "manifestações" dum lado e doutro, não venham a provocar a morte de alguém que não quer morrer antes do tempo.
Um abraço
Carlos Rebola

-JÚLIA MOURA LOPES- disse...

que sabeis vocês disso...

nem eu sei...que já vi mais sofrimento nos hospitais e IPO do que desejaria ter visto. Já vi gente a pedir "senhor, levai-me" mas na hora, todos pedem para viver, voltar a ver os filhos, a mãe, o marido.

Lembrei agora de uma mulher que o marido levou para casa para morrer em familia e ainda hoje está viva e já lá vão 20 anos.

Há sempre esperança...

Só Deus sabe quando chega a nossa hora.

xistosa, josé torres disse...

Maria

São assuntos que dizem respeito ao próprio.
O aborto já tem dois intervenientes, mas sou a favor da posição da mulher, qualquer que seja a sua convicção.
Nem outra coisa pode suceder numa sociedade desenvolvida.
O aborto, para mim não é uma morte, só se for quanto o feto tem possibilidades de viver, talvez aos 6/7 meses.
De resto, a mulher é dona do corpo, até ao limite da lei ...

xistosa, josé torres disse...

Carlos Rebola

Isto se não fosse polémico, não daria conversa.
O aborto, para mim, está encerrado.
A mulher é dona do corpo e da vontade ... não podemos deixar suceder o nascimento e perguntar-lhe depois se quer viver.
Por muito que digam os "experts", que nos tentam adormecer, o NASCIMENTO, È QUANDO A MULHER EXPULSa O FECTO; O FILHO ...
O resto, não cabe aqui, mas eu que sou um admirador de germinação de sementes ... defendo o aborto que a mulher defende.
A eutanásia, se todos esquecerem a religião, já não será um problema.
O mal de tudo é que vivemos subjugados à mentira com dois mil anos.
Afinal, foi o Moisés, o Jeová, o Cristo, o AlÁ ou aquele que os pequenos dizem ... que nos infernizaram o nascimento.
TODOS SABEMOS QUE A VIDA NA TERRA NÃO COMEÇOU EM NENHUM SER HUMANO, OU DEUS, OU QUALQUER INTERFERÊNCIA HUMANA ...
Se o índivíduo quer morrer, já sabe que deixará tudo ... mas por que contrariá-lo?
A morte é o fim.
Todos o sabemos!

xistosa, josé torres disse...

JúliaML

A mulher não tem o exclusivo de nada!!!
DE NADA!!!
Diga-me quem foi DEUS, ALÁ, OSÍRIS, ÍRIS e outros ?
Foi alguém que teve influência no nosso nascimento???
CLARO QUE NÃO!!!
Foi a invenção daqueles que não creditam que o dia-a-dia é mesmo o dia-a-dia.
Que julgam, pensam, ou desconfiam que há intervenção alheia.
Mas que deus é que nos comanda?
Que deus é que nos aconselha?
Que deus é que nos encaminha?

Temos que pensar que vivemos na Terra, sem deuses e sem seres superiores, ou até inferiores.
Não faço a alegoria á ausência de qualquer crente.
Eu também acredito que vou acertar na lotaria ...
no totoloto ...
ou no euromilhões ... mas é só uma crença, que está lonje da realidade.
Por isso vivo com os dois pés no chão e o pensamento no amanhã, não no deus que não existe!

SOU UM MATERIALISTA CONVICTO!!!!. Aos sessenta e tal anos, não acredito, em Lourdes, Fátima e outras histórias da Branca de Neve o do Ali Babá ...
Nem adianta criticarem-me, que não mudo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

xistosa, josé torres disse...

Daniel

Foi o primeiro comentário que respondi.
Não sei o que se passou.
A eutanásia é um querer de um único.
De quem não quer nada mais da vida.
Que sabe que não há retorno.
Não é um aborto.
Abortos são os que confundem as situações.
EStou suficientemente elucidado, se um dia conseguir colocar em prática o que aprendi, quando ficar confinado a ser um vegetal, não tenho pudores de afirmar, que cumpro o que disse à família ...
Nem misturo igrejas ou religiões.
Só posso ter saudades da "paella" que costumo fazer.
Das religiões ... como não sou malcriado, ou tento não ser, que se vão fode....!!!!!!!!!!!!!!

Paula Raposo disse...

Assunto polémico. Eu sou a favor da eutanásia e mais nada. Sofrer e ver sofrer quem amamos é duplamente muito mau. Beijos.

xistosa, josé torres disse...

Paula Raposo

Pelo que já escrevi, sou a favor.
Para mim nem há polémicas.
Como dois casos que vi na televisão, salvo erro dum galego e duma francesa.
Para quê viver?
Não me posso atirar da janela abaixo, moro numa casa de dois pisos, mas só quero ter forças para poder chegar onde quero, um dia que necessite de ser eu o médico de mim mesmo ...