Para que façamos ideia, o mais aproximada possível do que consiste a globalização, a Bolsa caiu não sei quantos por cento, com medo do baque bancário nos Estados Unidos.
Quando lá se constipam, aqui apanhamos uma pneumonia dupla, mas curiosamente, parece-me que entre nós, subiu a taxa de aforro.
Como é possível que os portugueses aforrem mais, quando têm menos?
Difundiu-se o pânico que íamos ficar sem nada e por via disso talvez se guarde o pouco que se tem.
O aforro sempre foi considerado como uma virtude, sobretudo para as Caixas e Bancos de aforro.
O grande Chesterton (*), que devia ser um pouco avarento, já que só esbanjava talento, chegou a encontrar-lhe qualidades líricas e até se atreveu a afirmar que "o aforro é poético, porque é criador", contrapondo-o ao esbanjamento, que na sua opinião é sempre destruidor.
Pessoalmente, não estou em absoluto, capacitado para falar em aforro, mas sei que em situações como a actual, tende a andar emparelhada com a caída do consumo.
Justifica-se deixar nas montras algumas coisas, que nós levaríamos para casa com gosto, mas não é de permitir que fiquem à sua sorte nos restaurantes ou bares os camarões, que nós comeríamos com um gosto não menor, ainda que mais efémero.
A caída da Bolsa coincide com a mudança de pele das sacolas e carteiras do Corte Inglês, pioneiro de um plano de "consumo responsável".
A verdade é que esbanjamos plástico e trata-se de substituí-lo inteligentemente por fécula de batata.
As bolsas bio-degradáveis são, pelo que me parece, excelentes substitutas das tradicionais e permitem que se abatam menos árvores e se emitam menos quilogramas de CO2.
É claro que haverá que ensaiar outros estilos de vida e procurar "engendrá-las" de outra maneira.
Tendem a relembrar-se as de sempre, talvez para merecerem a nostalgia.
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Gilbert Keith Chesterton, conhecido como G. K. Chesterton, (1874-1936) foi um escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, filósofo, desenhista e conferencista britânico.
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2 comentários:
Amigo José Torres
A "Bolsa" é um local virtual onde meia dúzia de especuladores sem nada produzirem multiplicam milionariamente os seus rendimentos do mundo real e isto é causa de grandes e graves "pneumonias" da maioria dos que se fartam de trabalhar e vêem os seus rendimentos a diminuir e ainda há a "lata" de lhes pedirem que poeticamente façam aforro, na minha terra dizia-se que se tornem "alforristas".
Quanto às outras bolsas não seria má ideia voltar-se ao papel em substituição do plástico, o meu avô tinha uma mercearia onde eu aviava nos anos sessenta e tudo era vendido avulso e embrulhado em papel "pardo" (reciclado, já existia) ou nos cartuxos que vinham colados com cimento. Era a ecologia na prática e nem sequer conhecia-mos o termo, hoje fala-se tanto em ecologia e até parece que foi inventada a reciclagem e é o que se vê... parece-me que o estilo de vida neste aspecto era mais saudável que hoje.
Um abraço
Carlos Rebola
Carlos Rebola
Não ligo à Bolsa.
Nem sei, nem quero saber como se especula.
Por acaso, quando escrevi isto, estava em queda.
Agora parece que deu um salto.
Aqueles papeis que se vão valorizando, para não falar nos outros, vão andando de mão em mão ou mesmo na própria, um dia estarão "rotos".
Depois quem paga os prejuízos? Porque a vaca não dá leite toda a vida ...
Recordo-me perfeitamente dos cartuchos, para o arroz, farinha, café, frutas e sei lá que mais e do bacalhau, a 1$70, embrulhado em papel pardo, como as barras de sabão amarelo ou azul e branco.
Isso eram tempos atrasados ... agora com os plásticos, resolve-se tudo.
Até os cordéis e cordas de juta, que os peixes podiam engolir e o organismo digeria-os.
Os plásticos ... bem, ainda estou a ver o peixe ás postas ...
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