Mirangolando o rio nos olhos
perfumados do rolar dos mirangolos
tu és o rio onde me deito,
estrada que vem do oriente
correndo deleitosa para o mar.
Mais do que estrada, pareces um sol,
um sol fluídico a bailar Namibe
nascendo no lado do deserto
e, correndo, vem deitar-se prazeroso
na baía marulhar de minha infância
despertando a manta dos mirangolos
chovendo como pérolas de azeviche
sobre o leito rio promissor a passar
e onde me deito dongo flutuando
no rio manso, balanço de teu corpo
ximbicando o dongo sem o canto
me dizer se sou dongo, barqueiro
ou o próprio rio do teu corpo
mirangolando nas águas onde boiam
mirangolos pérolas e desejos
ansiados no cacimbo-néctar de teus beijos.
King’s Lynn, 05/09/08
Mirangolos – fruto angolano de cor negra, parecendo cerejas.
Dongo – canoa, piroga.
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4 comentários:
Caro Amigo,
Obrigado pelas suas visitas e mais agradeco o favor de gostar de minha poesia.
Abracos
José Torres
Gostei do poema e também da informação em P.S.
Daniel
NAMIBIANO FERREIRA
Só tenho pena de não a poder colocar mais vezes.
Um abraço.
Daniel
Os meus visitantes e os que visito, aconselho sempre que coloquem coisas que todos compreendam.
Se forem fotos, que digam o local, ou ao que se referem.
Neste caso, que nos traduza as palavras do dialecto.
Quem escreve ou fotografa, não lhe custa nada dar essas indicações e nós, que estamos deste lado, ficamos a saber.
Penso que é uma boa política.
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