Conforme o tempo vai passando, vamos conhecendo mais casais que se formaram graças à Internet e temos razões para acreditar que o número de relações que surgem à distância é cada vez maior.
É claro que as relações que sobrevivem, tendem a requerer mais tempo para adaptar-se à vida conjunta.
Vão-se conhecendo casais que desenvolveram uma relação virtual e foram capazes de tirar o maior proveito dessas circunstâncias.
Também muitas, talvez muitas mais, ficam pelo caminho.
Enquanto que, as que conseguem aprofundar a relação, amiúde se expressam sentirem-se afortunadas de ter podido encontrar a sua meia laranja.
Pode tratar-se de pessoas que se sentem limitadas quanto à quantidade de candidatos ou candidatas que potencialmente podem conhecer na vida real e sentem necessidade de ampliar a busca.
Talvez sejam pessoas menos convencionais, ou que vivem em locais onde se reduzem as possibilidades de conhecer pessoas genuinamente afins e com interesses similares.
Enquanto que no passado, este tipo de pessoas muitas vezes tinham que conformar-se com menos, ou aceitar a vida de solteiras, hoje em dia têm a oportunidade de procurar mais longe.
As taxas aumentam e muito entre homossexuais.
Estas ás vezes vivem em situações de pouca tolerância e a sua orientação sexual e a rede, proporcionam-lhe fóruns onde podem relacionar-se mais amplamente e com menos pressões sociais ou familiares.
E sejam homossexuais ou heterossexuais, não têm que tratar-se de pessoas excêntricas.
Pode dar-se simplesmente o caso de que estas sejam capazes de imaginar possibilidades mais para além do habitual.
Atrevem-se a romper moldes e a inventar a sua própria história.
As relações nascidas na Web, geralmente contam com outros ritmos e com tempos diferentes, comparados com as relações dum casal mais tradicional.
Imaginemos que duas pessoas se conhecem nalgum fórum de contactos, começam a falar em “chats” e a conhecerem-se.
Pode demorar muitos meses a conseguirem um encontro presencial.
Tenho o caso de Marta e Vicente, que se conheceram num “chat” há cerca de dez anos, quando a Internet não era o que é hoje.
Ela vivia no Canadá e ele nos arredores do Porto.
Para além do “chat”, falavam inúmeras vezes ao telefone, mas demoraram mais de ano e meio para se conhecerem pessoalmente.
São de opinião de que a química surgiu logo no plano virtual e no seu encontro pessoal “fundiram-se logo os fusíveis”.
Deram-se conta com grande contundência que se queriam e que a sua relação prosperara depois de se encontrarem e que tinham decisões importantes a tomar.
Apostaram tudo na relação, ela deixou a família, o seu trabalho, a sua vida quotidiana para vir viver com Vicente.
A princípio a habituação não foi fácil, mas sempre tiveram a clareza que não ia ser fácil.
Dizem que no início a distância forçou-os a alimentar a relação dia a dia e que continuam a fomentar essa atitude.
Hoje têm algumas dificuldades, mas ambos asseguram, inequivocamente, que têm uma relação muito satisfatória e positiva.
Tardaram a consolidar a relação e a conseguir viver juntos e ainda que se encontrem bem entrados nos trintas, ainda não planeiam ter filhos.
Querem mais tempo para eles.
Isto não é exclusivo de pares que se conhecem na Internet, mas o seu processo parece ser mais lento.
Talvez se tenham habituado à cautela, tão necessária, nas relações virtuais.
Para tua introspecção:
Consideras que a Internet teve um efeito na tua forma de te relacionares com outras pessoas?
E na dos teus amigos ou amigas?
Acreditas que os ritmos neste tipo de relações são diferentes?
Qual a tua experiência a este respeito?
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4 comentários:
Não é fácil andar por aúi a perguntar a uns e a outros o que pensam deste ou daquele assunto, escolher o momento, o silêncio necessário para ouvir e sermos ouvidos!
Com a net eu sinto-me muito mais acompanhada neste mundo, acredito que criei alguns laços de amizade, abri a porta dos afectos virtuais. Para quem está só não me admira que as pessoas se dêem e se aproximem... é como as madrinhas de guerra, porque não às vezes o amor surge, outras a amizade, outras a indiferença, mas que nos enriqueceu a todos penso ser um facto!
inespimentel
Concordo plenamente.
Pertencemos a uma família.
Por vezes daquelas disfuncionais e com problemas, como na vida real ...
Mas talvez o véu que nos encobre seja benfazejo.
A nudez não é bem aceite por todos e nem uma trivialidade qualquer.
Por isso gosto deste "estado".
Não somos nada e somos os "mais", tudo ao mesmo tempo e no mesmo instante.
Depois contam histórias ... alguns que querem ir mais além do "normal".
E essas histórias, (muitas e muitas, feliz, ou infelizmente) é quer fazem este TODO.
Sou a prova viva de que amor pela internet pode ser real, conheci meu marido em uma sala de bate papo...nos conhecemos e depois de tres meses estávamos morando juntos, muitos não acreditaram que pudesse dar certo, Só sei que nessa de vai dar ou não já estamos juntinhos a 2 anos e 8 meses. Construímos nossa história em um alicerce sólido, nosso relacionamento não tem cobranças e nem autoritarismos...EXISTE MUITO DIÁLOGO, Essa é assencia para o amor resistir a tantos obstáculos, problemas que surgem durante a relação...somos muito felizes, e com certeza ainda seremos muito mais, pois a cada conhecimento a cada momento, a cada acontecimento, faz com que nos amamos mais e mais.
Minha História de amor é identica a sua....espero que o tempo seja muito além do imaginado também....rsrsr
anne
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