O VIDEIRINHO

quarta-feira, janeiro 28, 2009

NUVENS NEGRAS

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Costuma dizer-se que não é traidor o que avisa, mas muitos não apreciamos que haja incompatibilidade entre ambas as coisas.

Podem atraiçoar-se algumas convicções e depois dar as notícias de tal facto.

Nós, os portugueses, não nos podemos queixar de que os males que nos aguardam durante este (?) ano, nos vão apanhar de surpresa.

A conversa quase num sussuro e portanto de baixos decibéis do Governador do Banco de Portugal, bem como doutros, Manuel Pinho e Teixeira dos Santos, um talvez afectado pelo “nemátode” que grassa já de Norte a Sul e o outro, que mesmo no plural, nos inferniza a vida, está a fazer-se muito monótona.

Pelo que se ouve e conhece, agora estão a dizer tudo o que antes calavam, talvez por verem os casos mal parados ou os acontecimentos a empurrá-los.


Trouxeram-nos um programa de festejos tétrico: a crise destruirá não sei quantos milhares de empregos, com o desemprego a trepar pelas paredes do desespero e o défice, ou deficit, aquela coisa pela qual, nós os diligentes, probos, colaborantes, lutámos até ficarmos todos rotos, suados e empobrecidos, afinal não se rebaixará, perante torpes operações plásticas ou do vil papel e vai disparar. …

No que não posso estar de acordo com estas excelências todas, com idades perto da minha (dois mais novos e um mais velho) é que esta seja a “pior” recessão.


“La cebra y el leopardo, viaje imaginário”

Viveram-se outras, em que os nativos, além de morrerem de fome, matavam-se uns aos outros, como aqui ao lado, em Espanha.

Não chegámos, ainda ás "senhas de presença" ou à Cartilha de Racionamento, que foi o primeiro livro que inaugurou a minha biblioteca.

Por vezes temo que a minha vida possa ser capicua, ou seja que a última volta do caminho seja idêntica ao primeiro trajecto (que me contaram os meus pais).

O inferno que auguram, recorda-me a descrição dos reverendos (alguns pais de família) que se serviram dos indefesos, daquele colégio, para exercícios ou práticas espirituais.

Parece-me que o faziam com detalhes de luxo que nem os seus indefesos ouvintes suspeitavam quão atribulada era a sua permanência ali.

Todas estas coisas tão turvas, tão deploráveis, concomitantemente com outras, compartem o risco de desiludir os portugueses, mas isso não pode suceder.

É que os portugueses já estão desiludidos há muito tempo.

Fora com os crimes e a crise.

Sabemos que vamos comer o pão que o diabo amassou este ano, o próximo e …, até parece que estamos governados por pessoas medíocres e ambiciosas.


Continuamos a ignorar a que se deve o facto, contrastado pela estatística, de que nos acudam os melhores, nas tarefas políticas.

Está claro que nem todo o mundo quer praticar mergulho nas latrinas …


Fotos gentilmente cedidas por Aldo Tonelli, daqui:

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2 comentários:

Fá menor disse...

"até parece que estamos governados por pessoas medíocres e ambiciosas"????????????
só parece?!!!!!!!!!

xistosa, josé torres disse...

Fa menor

Não queria que tratasse mal os nossos governantes?
Ou será que não está bem inserido no texto?

Não nos podemos queixar.
Há muitos anos que só aparecem políticos dos bons, como estes.
Mas em qualquer um dos partidos.
Veja o que fez a ex-ministra das finanças, actual 1ª dama do PPD.

São todos de 1ª água quando estão na oposição ...