Cada vez se fazem menos calendários de parede.
Os artigos tecnológicos que nos rodeiam e convivem connosco supriram essa necessidade, que era real há uns anos.
Quem não se recorda de há longos anos ficar de castigo, na escola, virado para a parede a contar, mental e inconscientemente, os dias do mês?
Não se passou assim tanto tempo desde que, como num rito inexcusável, tínhamos que nos acercar, em finais de Dezembro, da padaria, da mercearia, do oficina de automóveis, etc., para desejar as boas festas e recolher um calendário que luziria um ano inteiro, na parede da cozinha, do escritório, ou local de ampla visibilidade.
De mesa ou secretária, pequeno para o painel do carro, de bolso para andar na carteira … quem nunca teve aquele, muitas vezes plastificado lenticular, que com uma ligeira mudança de ângulo de visão, a forte e atractiva dama deixava ver os seus enormes seios …
Mas clássico é mesmo o de parede que tende a desaparecer.
Nem sequer parece poder ser salvo pela proliferação de iniciativas de almanaques por boas causas, em que bombeiros, mulheres de 50 anos, jogadoras de futebol e não só, se desnudam para recolher fundos.
Veja-se o sempre famoso Pirelli 2009, aqui ou aqui.
Também nas oficinas de automóveis, que hoje são impolutos centros de tecnologia com prerrogativas, há local para o calendário de sempre, que alegrava as duras jornadas, entretendo com velas, alternadores, calços, …
Procurei um calendário que valesse a pena trazê-lo até aqui.
Um que não me importasse de pendurar no meu escritório, na cozinha … como antigamente.
Nem sabem quanto me custou a sua procura.
Viajei para longe, mas eis que o tenho aqui.
É da Paradigma, uma agência de publicidade de Moscovo.
Podes vê-lo, completo aqui.
No extremo oposto, gostaria de trazer também um mau, o pior.
Foi muito mais fácil e quem trabalha em agências de publicidade sonhará, não porque o tenham diante, porque nunca ninguém duma agência o pendura sem ser advertido de despedimento, mas porque por ser mau é distribuído em triplicado.
Trata-se do calendário da "Sanca", uma empresa espanhola de serigrafia, daquelas para toda a vida.
Conhecia e lidei de perto, na decoração de interiores.
Como um amigo que se empenha para que vejamos o vídeo do seu casamento ou como o chato que não nos deixa em paz até que tragamos a meia dúzia de álbuns de fotos das últimas férias, a "Sanca" envia-me, um ano sim e no seguinte também, um enorme calendário.
Rufo Arroyo, o seu dono e presidente, deu os primeiros passos como pintor.
Não necessita de galerista ou qualquer representante que coloque os seus quadros em revistas de arte: tem o seu calendário.
Inunda as agências de publicidade e empresas do sector, ano após ano, com os seus exercícios pictóricos.
Não sei de nenhuma agência que o tenha pendurado na parede, mas isso é o que menos importa.
Eu também não tenho uma parede para uma coisa tão enorme.
A felicidade, quiçá, pode-se comprar, o talento, por troca, é grátis.
Afortunadamente.
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2 comentários:
Ora aqui está um belo post, relembrando os velhos calendários e sempre actuais... os da pirelli ui ui magníficos e que grandes fotos...
Um forte abraço amigo,
Nuno
Xistosa, eu recebo as tais 'folhinhas calendários' de uma amiga blogueira. Ela é bastante saudosista e manda confeccioná-los todos! O patrocínio, o próprio blogue 'Idade da Pedra'. Tá ligado porque o nome? :) Bom fim de semana!! Beijus
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