Satélite ISEE-3/ICE, protagonista de infinitas viagens, desde a exploração da interacção dos ventos solares sobre a Terra, até à exploração de cometas ao longo de décadas.
Se há uma prova das capacidades de reciclar, reutilizar e reimplantar, com as que conta a NASA, é o satélite ISE-3/ICE.
Lançado nos finais de 1978, com a designação de ISEE-3, -International Sun-Earth Explorer- a sua função seria estudar a magnetosfera terrestre e a sua interacção com os ventos solares.
Mas terminada a tarefa, o satélite permanecia em perfeitas condições de funcionamento, pelo que em 1983, utilizando a gravidade lunar como impulso, foi lançado em nova missão.
Debaixo dum novo nome, ICE -International Cometary Explorer- e depois de dois anos de viagem, o complexo aparelho aproximar-se-ia a uns 7800 quilómetros do cometa Giacobini-Zinner, posicionando-se na sua cauda e obtendo valiosíssimos dados sobre o mesmo.
O êxito da missão fez com que um ano depois, acercando-se o suficiente, começou um estudo do famoso cometa Halley, sendo o primeiro satélite a estudar dois cometas.
Depois disto, os seus instrumentos foram configurados para posicionar-se numa órbita solar e ficar em repouso ou em espera e aforro de energia, tendo sido desligados 13 instrumentos de análise científica.
Gráfico que mostra a intrincada odisseia do satélite, ISEE-3/ICE até 2012.
Todavia ainda lhe restam diversas missões para a década 2010.
A "dormir" num mar celestial passariam assim os anos e as décadas, esquecido dos seus criadores, mas sendo ocasionalmente, saudado da Terra com a única intenção de comprovar que ainda funcionava.
Este pequeno viajante demonstrou ser mais eficiente e durável do que aquilo que os seus criadores imaginavam no momento em que o construíram.
Volvidos 22 anos de ter ido "dormir", foi contactado pelo Jet Propulsion Lab, através da Deep Space Network, para uma nova missão.
Seguir a sua órbita actual, o que o fará aproximar-se da Terra e voltar à Lua em 2014, ponto de partida desde que iniciou a sua "caça" aos cometas há 25 anos atrás, com o fim de lançar-se novamente a caçar cometas.
Se tudo correr bem, voltará a encontrar-se com cometas, ainda não definidos pela NASA, em 2017 e 2018.
Baterá novamente todos os recordes uns 40 anos depois de ter abandonado da Terra.
Enlaces relacionados:
- Excelente artigo, com perguntas a um dos responsáveis do projecto pela "Planetary Society", (em inglês).
- Galeria do ISEE-3/ICE, (oficial da NASA)
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