O VIDEIRINHO

terça-feira, janeiro 20, 2009

RECLUSO Nº 44

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Barack Obama, o recluso mais poderoso do mundo, ingressa hoje numa prisão de ouro.

Ao entrar na Casa Branca, uma parte dos seus apreciados bens ficam sob custódia até que abandone o cargo.

O direito à intimidade e à individualidade, para começar, permanecerão numa redoma.

O residente esvazia os seus bolsos sobre a bandeja e por último, afrouxa a correia do relógio, enquanto o funcionário espera impertinente que acabe de depositar os seus objectos pessoais para guardá-los até à sua saída.

Só há que visualizar a cena que temos interiorizada, graças a todos os filmes sobre cárceres que temos consumido, para imaginar Obama repetindo o ritual à porta da Casa Branca.

O homem mais poderoso do mundo, não só ganha em privilégios.

Também perde em privacidade e em naturalidade.

No umbral da sua luxuosa prisão, um último instante para reflexão.

Ingressa de forma voluntária, sim, mas não se livra do protocolo.

Até o Alto Comissariado para os Direitos Humanos, fixa nas “Regras Mínimas para o tratamento dos reclusos”, que estabelecerá um inventário, com todos os seus efeitos que o detido assinará e que lhe serão devolvidos no momento da sua libertação.

Conferimos a lista das suas renúncias ou do que tem de abdicar:

- Intimidade.

Barack Obama, já não é Barack Obama, o senador, o candidato negro, democrata, o pai, o amigo …

A partir de agora é o presidente dos EUA, somente.

E até tem um número, como bom réu, o 44.

Foi rebaptizado.

O papel pelo qual competiu, pelo que trabalhou no duro, já é seu.

O personagem devora o indivíduo, que se converte num estereotipo.

Presidente para aqui, presidente para ali.

Este pequeno detalhe, não é uma anedota.

A individualidade sofre uma míngua ou diminuição.



“Ainda que ele leve já dois anos, preparando-se para este momento e está acostumado à escolta e demais meios, corre o risco de que o cargo acabe absorvendo a pessoa.

Existe o perigo real de deixar de actuar como todos crêem que deveria e fazer o que considera que se espera a um presidente”, disse, ... já nem sei quem.

No seu último discurso, Bush declarava-se desejoso de recuperar a naturalidade.

- Contacto com a realidade e com as pessoas.

Impossível ir jantar ao seu restaurante favorito e pretender que nas mesas colimitadas, os comensais não sejam agentes do FBI camuflados.

A segurança extrema que requer um presidente e mais a mais negro, impede o tratamento próximo como se nada não tivesse sido investigado.

Só a família, também isolada e super protegida, um punhado de amigos íntimos e o circulo de colaboradores mais próximo, tem acesso ao presidente.

Pulsar a opinião da rua na primeira pessoa acabou-se.

- Capacidade crítica.

“Quando mais amistoso seja o clima afectivo existente entre os membros de um grupo, maior será o perigo de que o pensamento crítico independente seja substituído pelo pensamento colectivo, o qual pode provocar algum tipo de acção irracional”.

O psicólogo americano, Irving L Janis, é famoso por determinar a influência negativa do pensamento colectivo na tomada de decisões, cujos exemplos mais célebres são o bombardeamento de Pearl Habor, a guerra do Vietname, a invasão da Baía dos Porcos e o caso Watergate.

De maneira inconsciente, os membros da equipa de Obama poderão cair neste clássico da psicologia do auto-engano, tão comum em múltiplos governos.

- Auto-imagem.

A percepção que cada pessoa possui de si mesma, é um puzzle composto pela sua própria visão e a que devolve para os outros.




A omnipresença de Obama nos meios de comunicação, fá-lo-á procurar uma nova descoberta de si mesmo, mais amável do que a maioria dos políticos poderiam imaginar.

Um homem que escreveu a sua autobiografia, que construiu um perfil meditado, não deveria assustar-se nem estremecer pelo que está para chegar.

Essa outra cara, a da inevitável decepção que vão trazer as suas decisões mais amargas, obrigatórias e impopulares, promete sofrimento ao presidente.

Reconhecer-se nesse homem, vai ser-lhe duro.
- A fantasia da lâmpada de Aladino.

Se eu fosse presidente, se eu fosse rico, são duas das principais fantasias ou ilusões do comum dos mortais, classe a que Obama pertenceu a maior parte da sua vida.

Ansiar pelo poder para modificar as coisas, mesmo que sejam para fins altruístas ou puramente egoístas é uma máxima do mais humano.

O que se passa quando se consegue?

“Descobres o princípio da realidade.

Tens o poder mas não o podes utilizar como gostarias.

Poderás conseguir as rosas mais exóticas para ofertar à tua mulher, mas não acabarás com a fome no mundo.

Aprende-se a conhecer os limites do poder.

Tem que se concentrar nas coisas que só ele pode fazer, porque só há um presidente dos EUA”.
- Um guarda-roupa informal.

Já é sócio dum elitista clube, formado por um reduzido grupo de membros que se podem contar pelos dedos das mãos.

Obama é uma instituição envolta na bandeira de barras e estrelas que sabe que terá de apelar ao patriotismo, à responsabilidade e ao sacrifício para sair da derrocada e evitar taxas de desemprego de 9 % que auguram os analistas, no caso de que os planos económicos não dêem resultado.

O uniforme de presidente assenta-lhe que nem uma luva, ainda que se tenha de reconhecer que é uma condenação não poder prescindir dele.

Como gostaria de vê-lo de chinelos ou luzindo, tipo “na praia”.

Que outros aspectos acreditas que não passarão do tapete ou capacho da Casa Branca?



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4 comentários:

Anónimo disse...

ola

gostava que fosses a
www.avanessaguerradesafio.blogspot.com
e votasse na mala da minha irma - claudia cunha - basta deixar uma mensagem
beijinhos

Unknown disse...

Quando adolescente vi a série "Sim, Sr. Ministro" (ou algo parecido) em que era óbvio que quem governa, no fim de contas, é a 'máquina' instituída e não o primeiro ministro, percebi que quem está num lugar de poder, afinal de contas não tem assim tanto poder. No entanto, tem que assumir responsabilidades bem pesadas, dar a cara pela 'máquina' e recear represálias. Passei a encarar estes cargos como demasiado incoerentes.

Havendo 2 tipos de pessoas que se candidatam a estes cargos, umas admiro-as pela coragem de acharem que poderão fazer a diferença, outras admiro-me com a sua estupidez ao entrarem neste mundo para satisfazer o ego.

Bjs e abraços e... bom fim de semana!

xistosa, josé torres disse...

Carla Silva e Cunha

A resposta já é tardia.
O "trabalho" já foi feito.

xistosa, josé torres disse...

Helena Paixão

Ainda bem.
Foi um dos favoritos que me desapareceu ...
Tenho que colocar tudo no blog.
Pelo menos ficam sempre a pairar ...

Foi uma série que acompanhei alguns episódios.
É que não gosto de andar a assistir a bocados dum todo.

Mas esta série era uma "amostragem" do que pode e até sucede ... no mundo "civilizado" dos mesquinhos interesses.
Por vezes nem o "chefão" sabe que manda ... ou mandou!