O Outono nota-se menos no mar, que muda de cor, mas não de hábitos.
Os poetas dizem que quando chega o Outono o tempo é ouro em todas as árvores, que começam a distribuir os seus prospectos amarelados pela calçada, sem terem em conta os problemas do pessoal que inaugura esta nova estação.
Em Portugal, depois de dois anos de crise, a taxa de desemprego continuará a subir quando chegar o inverno e desça o número de turistas no All Alarve, digo, All Garve.
Temos que estar atentos aos que chegam e aos que não podem chegar, ainda que o seu destino seja Espanha.
A “carreira” (em bateira sem condições) que ia de Tanger para Cádis com uns 40 subsaarianos – os subsaarianos nunca estão bem contados – soçobrou junto à ilha de Perejil?
Recordam-se?
(Em 2002, 6 gendarmes marroquinos ocuparam a ilha, obrigando tropas espanholas a desalojar os ocupantes, duma ilha que é reclamada por Espanha e Marrocos).
Perejil foi a última heroicidade histórica de Espanha desde Lepanto.
Houve onze sobreviventes e oito cadáveres, que foram os que o “Salvamento Marítimo” conseguiu encontrar.
O desespero é mais forte que o medo.
Um dia depois dessa tragédia, na mesma zona, outra bateira ou chata, tripulada por crianças, pretendia cruzar o Estreito de Gibraltar e chegar a Tarifa, num “barquito” quase de brincar.
Como com as coisas de comer não se brinca, os adolescentes traziam chocolate, tâmaras e garrafas de água.
Uma chamada anónima salvou-os, depois de remarem durante mais de seis horas com os seus remos de madeira.
O mundo está mal feito, talvez porque deixaram aos seus fugitivos habitantes, a missão de fazê-lo e temo-nos descuidado muito.
O certo é que o temos deixado duma geração para a outra, adiando o seu conserto.
Há neste planeta suburbano mais de mil milhões de esfaimados.
Dá um pouco de vergonha, os nossos famintos queixarem-se porque os impostos sobre as bebidas alcoólicas e sobre o tabaco, para não falar do maná da gasolina, são dos mais elevados.
Não tem graça nenhuma, mas não é como berrar no céu ou no mar.
Não nos ouvem.
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Os poetas dizem que quando chega o Outono o tempo é ouro em todas as árvores, que começam a distribuir os seus prospectos amarelados pela calçada, sem terem em conta os problemas do pessoal que inaugura esta nova estação.
Em Portugal, depois de dois anos de crise, a taxa de desemprego continuará a subir quando chegar o inverno e desça o número de turistas no All Alarve, digo, All Garve.
Temos que estar atentos aos que chegam e aos que não podem chegar, ainda que o seu destino seja Espanha.
A “carreira” (em bateira sem condições) que ia de Tanger para Cádis com uns 40 subsaarianos – os subsaarianos nunca estão bem contados – soçobrou junto à ilha de Perejil?
Recordam-se?
(Em 2002, 6 gendarmes marroquinos ocuparam a ilha, obrigando tropas espanholas a desalojar os ocupantes, duma ilha que é reclamada por Espanha e Marrocos).
Perejil foi a última heroicidade histórica de Espanha desde Lepanto.
Houve onze sobreviventes e oito cadáveres, que foram os que o “Salvamento Marítimo” conseguiu encontrar.
O desespero é mais forte que o medo.
Um dia depois dessa tragédia, na mesma zona, outra bateira ou chata, tripulada por crianças, pretendia cruzar o Estreito de Gibraltar e chegar a Tarifa, num “barquito” quase de brincar.
Como com as coisas de comer não se brinca, os adolescentes traziam chocolate, tâmaras e garrafas de água.
Uma chamada anónima salvou-os, depois de remarem durante mais de seis horas com os seus remos de madeira.
O mundo está mal feito, talvez porque deixaram aos seus fugitivos habitantes, a missão de fazê-lo e temo-nos descuidado muito.
O certo é que o temos deixado duma geração para a outra, adiando o seu conserto.
Há neste planeta suburbano mais de mil milhões de esfaimados.
Dá um pouco de vergonha, os nossos famintos queixarem-se porque os impostos sobre as bebidas alcoólicas e sobre o tabaco, para não falar do maná da gasolina, são dos mais elevados.
Não tem graça nenhuma, mas não é como berrar no céu ou no mar.
Não nos ouvem.
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2 comentários:
Gostaria que isto fosse uma história de ficção.
Infelizmente, por cá também se tem de ir à procura de melhor vida em outras paragens... porque não nos ouvem.
Fa menor
Ouvir, ouvem-nos, mas só os lamentos.
Há uns anos, poucos, estava em Tenerife, em passeio por Santa Cruz de Tenerife, a capital, por sinal, apanhei um temporal que em meia hora choveu mais que nos últimos dez anos.
Uma barcaça, "pateiras" nome que lhe dão em Espanha, carregada de carne, uma viva e 3 mortos, livrou-se do temporal por uma unha negra.
Procuram uma vida melhor, mas muitos encontram a morte.
A repressão não adianta nada.
É necessário investir nesses países para terem uma esperança.
Nos últimos tempos não temos tido chegadas destas.
Fica mais longe e os "barquitos de papel" não aguentam.
Por cá ainda vai havendo pão ...
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