
Contam-nos que as famílias portuguesas, umas com as outras, entenda-se, aforram um de cada quatro euros que caem nas suas mãos, mais ou menos ocupadas.
Se acreditamos nas estatísticas devemos regozijar-nos.
Também fazes caso das estatísticas?
Eu tão-pouco.
Salvo erro, foi Jardiel Poncela quem disse, “se alguém come um frango e ele não o provava, então tinham comido meio frango cada um”.
As mesmas estatísticas aplicam-se ao calçado: fazem-se contas ao consumo de sapatos por habitante e nelas, (estatísticas) também entram as carmelitas de pés descalços.

Chesterton, que devia ser um pouco malicioso, afirmava que o aforro era poético, porque era ganhador e opunha-se ao esbanjamento, que na sua mente era destruidor, mas acrescentar pouco ao pouco, não dá para muito.
O medo á crise pode ser que faça milagres, mas presentemente faz muita mais gente desgraçada.
Como é possível que o aforro nas casas portuguesas, tenha subido ao “andar” superior e se situe num máximo histórico (faltando saber se do mês passado, da semana finda ou do dia que acabou na véspera)?
É pelas coisas lindas que admiro e gosto das estatísticas.

Esgotaram-se os mealheiros e os cofres e até esses porquitos de bojudo barro, onde se guardam as moedas vagabundas.
Pelo contrário, preferimos viver acima das nossas possibilidades, pensando, talvez, que por debaixo delas não havia possibilidade de viver.
Como já disse aqui nesta casa há algum tempo, quando o grande Oscar Wilde estava nas últimas, uns amigos foram vê-lo, ao humilde hotel onde terminaram os seus gloriosos dias, em amargo contraste com os mais penosos e lhe levaram champanhe autêntico do país de origem.
- Estou a morrer acima das minhas possibilidades – disse.
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