O VIDEIRINHO

quinta-feira, outubro 22, 2009

SALA DE ESPERA

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Sala de espera que segundo alguns sítios na Net, é de um Banco de Esperma na Ucrânia.
Outros dizem que é uma sala de espera duma Clínica de Ginecologia (não localizada).
Vá-se lá saber onde.
Aceitam-se esclarecimentos de utentes.


A Providência foi substituída, nem sempre vantajosamente, pelo Fundo Monetário Internacional.

Cada vez há menos gente que diga, “Deus providenciará” e ainda mais quem olhe para o PSI 20.

Claro que também escasseiam as pessoas que vão de gabardina para as procissões onde se pedem chuvas ou outra dádiva do céu.

A esperança entendida como préstimo que rogamos ao futuro, não atravessa os seus melhores momentos, já que todos os vaticinios são lúgubres.

Agora ouve-se dizer que o nível da riqueza anterior à crise não se poderá recuperar antes de 2014, quando estivermos mortos e enterrados, que é sem dúvida uma dificultosa cultura, se estamos dentro de um pote de cinzas, por muito sentido que tenham e por muito enamoradas que continuem a estar.

O presente é uma portentosa divindade, segundo se diz e os portugueses não o adiaram.



O futuro, que não tem a menor ideia da pontualidade, ao menos teve a cortesia de anunciar-nos um atraso.

Está a caminho, mas o desemprego e o tsunami da construção civil ou do imobiliário estão a atrasar a sua chegada.

Quem espera desespera.

O meu amado Omar Khayyam, grande poeta, convenceu-me a despreocupar-me com o: “amanhã todos abandonaremos esta pousada e nos parecemos a mortos de há dezassete mil anos” (frase completa: Dizes que cada nova manhã nos traz mil rosas; sim, mas onde estão as pétalas das rosas de ontem? Irmão: não nos preocupemos com o amanhã. Aproveitemos este sopro de vida. Amanhã todos abandonaremos esta pousada e nos parecemos a mortos de há dezassete mil anos".



Essa paisagem da morte é inevitável, mas é sumamente desagradável que na pousada se coma tão mal e trágico, que a muitas pessoas não lhes concedam acesso.

Cinco anos na sala de espera pode parecer-nos muito tempo, sobretudo para os que não somos VIP.

Dentro de cinco anos poderemos não estar aqui para contá-lo, nem para decepcionar-nos com aquelas promessas.

No meu caso particular nem sei desejo ser testemunha desse bem-estar.

Avante vocês.

Desejo que tudo corra bem.

Muita sorte para todos.

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