O debate sobre a legalização da marijuana está mais quente do que nunca, na Califórnia.
Desde 1996 e graças a um referendo popular, é legal plantar ou comprar marijuana sempre e quando se destine para fins terapêuticos.
Neste “estado dourado” a experiência em normalizar o consumo desta droga e ter um cartão médico que a permite comprar numa qualquer loja, das licenciadas, é algo absolutamente comum em Los Angeles ou São Francisco.
Aliás, muitas vozes pedem ao governador Schwarzenegger e ao Presidente Obama que vão um pouco mais além e a legalizem por completo.
Ainda que a legalização de cannabis possa parecer uma “utopia hippie”, o certo é que, economicamente falando, seria muito rentável para o governo dos EUA.
Estudos estimam que se a “mari” ou “maria” fosse vendida legalmente e estivesse sujeita a impostos, como por exemplo o do álcool, só o Estado da Califórnia contribuiria para os cofres do estado com 1300 milhões de dólares/ano.
Para um Estado que está em ruína financeira – e que está a cortar nos investimentos na educação e serviços sociais, porque não “há dinheiro” – esta ideia anti-crise não parece assim tão descabelada.
De facto, Schwarzenegger disse há uns dias que o momento do debate tinha chegado e que estudaria os casos dos outros países onde se vende legalmente e com impostos.
Assegurou também que não “tomaria decisões que pudessem ser perigosas só pelo facto de arrecadar dinheiro para as arcas estatais”.
Segundo as sondagens, 56% dos californianos apoiariam o governador se ele se decidir ser pioneiro na legalização.
A entrada de dinheiro nas maltratadas contas de Arnald não acabariam aqui.
Além dos 1300 milhões de impostos ao ano a redução do crime também poderá ser uma grande poupança.
O narcotráfico de marijuana na fronteira com o México e no resto do território é um dos delitos que mais trabalho dá à polícia anti-droga, que em várias ocasiões já deu indícios de estar “assoberbada”.
Não se esqueça que que a cannabis é a droga mais consumida no país.
Há um par de dias Obama deu um passo em frente e anunciou através do secretário de Justiça americano, Eric Holder, que “não perseguirá o consumo de marijuana para uso médico nos estados em que é permitido”.
As novas directrizes contradizem a política da anterior Administração Bush, que insistiu em manter as leis federais contra a marijuana, considerada uma droga ilegal, sem ter em conta a normativa de cada estado sobre o seu uso.
Além da Califórnia, a medida de Obama, afecta outros 13 estados.
A partir do Departamento de Justiça dos EUA asseguram que, agora que não se perseguirão os utilizadores médicos desta droga, “todos os recursos estarão à disposição da polícia para acabar com os traficantes, com os quais haverá tolerância zero.
A nova normativa de Obama deixa, entretanto, o grande problema da marijuana médica na Califórnia sem resolução: a regularização da abertura de lojas que a vendem.
Desde que foi legalizada em 1996, até 2007 havia na cidade de Los Angeles 186 clínicas com licença para vender.
Depois de anunciar que dentro dum curto espaço de tempo iam deixar de dar mais licenças, 800 pessoas solicitaram abrir um destes negócios.
A lentidão do processo burocrático e as lacunas de uma lei confusa provoca que muitos estabelecimentos estão a funcionar ilegalmente.
Este mapa do "Los Angeles Times" expressa muito bem como está a localização das clínicas na cidade.
Esta é a primeira vez que Obama levanta um pouco o véu sobre o assunto.
Noutras ocasiões, Obama só tocou ao de leve no assunto – inclusivamente chegou a chalacear – e tinha decepcionado os apoiantes da pró legalização.
President Obama at Virtual Town Hall on Legalizing Marijuana
CONTINUA...
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