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Pela sexta noite consecutiva volta a encher o teatro.
Uma banda de som, carregada de intensidade, começa a ecoar na sala.
As luzes tornam-se mais opacas, acende-se a máquina de fumo e o caixote é colocado pela “partner” no meio do cenário.
Num dos extremos do dispositivo vê-se uma cabeça a sobressair e no lado oposto emerge um par de sapatos.
O mago aparece coberto por uma túnica negra, sustentando a motosserra que depois utiliza para cortar o caixote ao meio.
A actuação é impecável.
É tão perfeita e tão bem realizada e sente-se tão realista, que inclusivamente muita gente desmaia com a impressão.
Os gritos de dor, o sangue, as vísceras esparramando-se no chão são detalhes tão excêntricos e autênticos, que ninguém pergunta porque é que o mago não volta a unir as duas metades.
O público, rendido e atónito, outorga-lhe um forte aplauso.
Não há ou deve haver maior satisfação para um psicopata e exibicionista que obter um grandioso aplauso pelo trabalho que mais gosta no mundo: assassinar.
Eu estava ali quando chegou a polícia para deter o mago, que somente alegou, que em todas as profissões se cometem falhas e que era esta a primeira vez que passava por uma situação assim.
Como é natural, não o detiveram nem uma hora.
O juiz disse:
“Isso é verdade, em todos os ofícios há falhas.
Muitas; muitíssimo mais graves até.
Em todas as legislaturas é muito frequente haver falhas gravíssimas e não é por isso que os juízes encarceram esses criminosos/magos, ou magos/criminosos, ou lá como se chamam os “auto-eleitos”.
Passos Coelho continuou em frente!!!+
Passos Coelho continuou em frente!!!+
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