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Os anúncios de detergentes
empurram-nos a sonhar com outras vidas.
Por que é que o teu tempo, presentemente,
é mais branco que o meu?
Queres o sorriso de Brad Pitt, a casa de Madonna, a
cabeleira de Justin Bieber.
A 'elegância' verbal de Vítor Gaspar, os “tomates” de
Cristiano Ronaldo ou o sapato de cristal de Manuela Ferreira Leite (que danos
causou Walt Disney…).
Queres ser o que outros olhos vêem, a pluma de Manuel António Pina, o fígado de Charles Bukovski, ou as marugas (maracas) de Machin.
Queres
ser, inclusive, o que tu mesmo foste naqueles tempos, quando não existia o
medo, recorda-lo?
Pois bem, convido-te agora a imaginar o contrário.
Jean-Baptiste Valadie
Imagina
que sonhas com o teu mesmo presente, com seres só tu, simplesmente tu.
Imagina
que queres ser os teus próprios dedos cada vez que acaricias o corpo da mulher
da tua vida.
Queres ser a tua mesma casa, a tua família de sempre ou o teu
trabalho actual.
Que tens um táxi e gostas do teu táxi.
Que os outros entrem no
teu táxi e em cada trajecto eles continuem a sonhar com outras vidas, que olhem
através do espelho retrovisor e não possam evitar, interrogando-se, o porquê do
teu sorriso mesmo em pleno engarrafamento.
Que se interroguem:
como é possível
ser taxista e feliz?
Que um primeiro-ministro inveje em segredo um taxista.
Está
a acontecer.
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