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... CONTINUAÇÃO
Desliguei o taxímetro e “ala moleiro”.
Seriam umas onze horas e pico da noite, ainda não tinha escrito o post para o meu blog, pelo que na povoação seguinte ia procurar (este povoado estava morto) um sítio onde pernoitar.
Antes de alcançar as primeiras casas surpreendi-me ao ver junto à estrada uma esplanada com uma série de portas, em montículos, dispostas a esmo sobre o solo.
Dessas portas entrava e saia gente.
Aparquei o táxi, recolhi o portátil e entrei por uma delas.
Depois de umas bem empinadas escadas descendentes acedi a uma divisória com uma bruta abóbada, com um balcão e umas mesas de madeira, barris de vinho e pessoal comendo e bebendo.
Era uma adega (ou gruta) escavada debaixo da terra ou melhor, debaixo do rochoso subsolo.
As paredes faziam parte da rocha e cheirava muito a humidade.
Sentei-me ao balcão e pedi, como não podia ser de outra forma, vinho da casa e alguma coisa para picar e trincar.
Saquei do meu portátil.
– Tem Wi-Fi?
Perguntei ao empregado.
– Não.
Comida chinesa não servimos.
Temos pão, chouriço, presunto, queijo, morcelas, tripas enfarinhadas, coxas de frango…
- Está bem.
Escolhi, pão, três pratinhos diferente (três raciones), um caneco de vinho e preparei-me para escrever algo.
Só saiu o que agora estão lendo.
Perguntei ao empregado a que profundidade nos encontrávamos.
Disse-me que a vinte e cinco metros abaixo de um manto de terra e pedras.
Como aqui não há Wi-Fi, nem cobertura de internet móvel, quando acabar de escrever estas alinhavadas linhas, terei que subir à superfície para ligar-me à Internet.
NOTA:
Este post foi escrito, fruto da mais literária casualidade, não só a 290 km da minha casa, como também 25 metros abaixo da terra.
Para que depois alguns não digam, ou insinuem que o que escrevo, não é profundamente profundo.
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2 comentários:
Profundissimo!*
Tétisq
Profundissimamente profundo, como o m/amor ás redundâncias me obrigam.
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