O VIDEIRINHO

segunda-feira, setembro 24, 2012

PROFUNDAMENTE (II)

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... CONTINUAÇÃO



Desliguei o taxímetro e “ala moleiro”. 

Seriam umas onze horas e pico da noite, ainda não tinha escrito o post para o meu blog, pelo que na povoação seguinte ia procurar (este  povoado estava morto) um sítio onde pernoitar. 

Antes de alcançar as primeiras casas surpreendi-me ao ver junto à estrada uma esplanada com uma série de portas, em montículos, dispostas a esmo sobre o solo. 

Dessas portas entrava e saia gente. 

Aparquei o táxi, recolhi o portátil e entrei por uma delas. 

Depois de umas bem empinadas escadas descendentes acedi a uma divisória com uma bruta abóbada, com um balcão e umas mesas de madeira, barris de vinho e pessoal comendo e bebendo. 



Era uma adega (ou gruta) escavada debaixo da terra ou melhor, debaixo do rochoso subsolo. 

As paredes faziam parte da rocha e cheirava muito a humidade. 

Sentei-me ao balcão e pedi, como não podia ser de outra forma, vinho da casa e alguma coisa para picar e trincar. 

Saquei do meu portátil. 

– Tem Wi-Fi? 
Perguntei ao empregado. 

– Não. 
Comida chinesa não servimos. 
Temos pão, chouriço, presunto, queijo, morcelas, tripas enfarinhadas,  coxas de frango… 

- Está bem. 

Escolhi, pão, três pratinhos diferente (três raciones), um caneco de vinho e preparei-me para escrever algo. 



Só saiu o que agora estão lendo. 

Perguntei ao empregado a que profundidade nos encontrávamos. 

Disse-me que a vinte e cinco metros abaixo de um manto de terra e pedras. 

Como aqui não há Wi-Fi, nem cobertura de internet móvel, quando acabar de escrever estas alinhavadas linhas, terei que subir à superfície para ligar-me à Internet. 

NOTA: 
Este post foi escrito, fruto da mais literária casualidade, não só a 290 km da minha casa, como também 25 metros abaixo da terra. 

Para que depois alguns não digam, ou insinuem que o que escrevo, não é profundamente profundo.
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2 comentários:

Tétisq disse...

Profundissimo!*

xistosa, josé torres disse...

Tétisq

Profundissimamente profundo, como o m/amor ás redundâncias me obrigam.