O VIDEIRINHO

domingo, setembro 30, 2012

MAIS SÁBIO

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Somar quilómetros nem sempre significa avançar. 

Podem ser voltas ao redor de um mesmo nada ou passos de cego ou um constante ir e vir de qualquer lugar a nenhuma parte. 

Por isso, cada vez que tenho de trocar os pneus do meu táxi por outros novos, interrogo-me se essas fibras de borracha queimada e abandonada no asfalto também queimaram o meu tempo sem deixar cinzas ou melhor, criaram outro homem mais velho e mais sábio. 

Mas sei, como tu também sabes, que a resposta não está nos pneus, mas sim na carroçaria do táxi.

 
Quantas batidas recebidas ou que eu provoquei neste tempo? 

Quantos arranhões? 

Quantos faróis partidos? 

Tudo isto recorda-me “Crash”, o impactante filme de David Cronenberg, quando depois de um acidente entre dois carros, uma voz off diz:
É a sensação de contacto. 
Em qualquer cidade que caminhes, compreendes? 
Passas rentinho da gente e esta tropeça contigo. 
Em Los Angelos ninguém te toca. 
Estamos sempre atrás deste metal e vidro e ansiamos tanto esse contacto que chocamos contra outros só para poder sentir algo”.



Deste modo, cada vez que a companhia de seguros do meu táxi me aumenta o prémio do seguro (por exceder o limite de acidentes), sinto-me mais sábio. 

Mais pobre, mas mais sábio. 

Mais imbecil, mas mais sábio.

01MAI2011
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