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D. Quixote do artista plástico brasileiro Rogério Dias
Ninguém está a salvo.
Uma simples chispa poderia incendiar o táxi da vida.
Ninguém sabe onde se encontra a sua própria linha vermelha, a mesma que separa o sensato do louco.
Nem Cervantes chegou a conhecer em que página exacta Alonso Quijano se descartou do nome, crismando-se em "D. Quixote de la Mancha" e “passou-se dos carretos de maneira que veio a perder o juízo”.
Não existe uma dose concreta de ficção, nem manual que te ajude a desatascar colapsos nesse funil que é a realidade, nem amor que te amarre com grilhões ao solo, nem psico-fármaco exacto para prevenir o teu.
Mas não temas.
Também tem o seu ponto alto investir contra semáforos acreditando que são dragões para salvar uma princesa disfarçada de Polícia Municipal.
– O que é real?
Se o meu vermelho é o teu amarelo, quem é o daltónico?
Por acaso o condutor kamikase pensa que o resto conduz no sentido correcto?
Por acaso tu e eu beijamos o mesmo, quando nos beijamos?
Quem me assegura que tu, leitor@, não estás com uma grandessíssima borracheira quando discordas das minhas palavras?
Onde está o teu livro da vida por pontos?
Onde me terei esquecido do meu?
Nota:
Quando D. Quixote voltou a recuperar os pirolitos todos, e se converteu de novo em Alonso Quijano, morreu.
Morreram os dois, quero dizer.
02NOV2011
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