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Perdido pelas ruas numa ida e vinda para conquistar o pão nosso, melhor, o meu pão do dia-a-dia, encontrei um indivíduo com uma mala de mão que me perguntou quanto custaria a viagem, agora mesmo, a uma povoação perto de Benavente, em Zamora, Espanha.
Sério como sou, (nem sequer duvidem!!!) , consultei a minha máquina de que não percebo nada, o GPS, vi a distância em quilómetros, (cerca de 330 km) e calculei, por baixo, segundo as tarifas nacionais e internacionais, acrescidas as portagens, da verba a pagar pelo meu cliente.
- 400 euros (para não o assustar), senhor.
– Concordo.
Então não se importa de me levar?
Perguntou-me apressado.
Eram perto das oito horas.
Pensei na minha vida:
Não tenho que madrugar (aliás nunca madrugo), nem levar a miudagem ao colégio, (não tenho filhos nem netos), nem obedecer a um chefe, (não tenho chefe), nem avisar a minha mulher ou a minha mãe, vivo só, ninguém me liga, nem espera).
Disse-lhe que sim.
E mais, desde a minha última viagem sem destino, só improvisação, ando com uma mala, com uma muda de roupa, uma calção de banho, escova e pasta dentífrica, para uma casualidade casual, como casualmente aconteceu agora.
Já em andamento o meu passageiro contou-me que a sua irmã adoeceu e que não tinha conseguido um meio de transporte mais rápido, a esta hora, do que o táxi.
Logo adormeceu durante os longos quilómetros.
Pouco antes de chegar a Benavente (frio como um raio e chuva diluviana), dei-lhe uns toques nas pernas e o homem despertou.
Já refeito indicou-me como chegar à pequena povoação a uns escassos dez quilómetros dali, numa estrada cheia de buracos e remendos.
Ao chegar à porta da casa da irmã, pagou-me o acordado, deu-me vinte euros de gorjeta, e inclusivamente disse-me que podia pernoitar, havia várias camas vagas.
– Agradeço a sua oferta, mas esperam-me, menti-lhe.
CONTINUA...



1 comentário:
Isso é que foi facturar...*
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