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Desde há muito tempo — centos e centos de anos — os deuses deixaram de castigar ou beneficiar as pessoas.
Simplesmente deixam que a vida particular da cada ser humano siga o seu curso natural e observam com olhos científicos como os fios do destino se enredam e desenredam.
Em tal caso, podemos dizer que as nossas sortes e desgraças não são parte de nenhum desejo divino directo.
Os deuses já não interferem; nem para o bem, nem para o mal.
Ficam no alto das nuvens e estudam-nos bem como os ictiólogos aos peixes e os filólogos aos livros.
Tornaram-se totalmente imparciais, avaliadores constantes e censores omniscientes da vida de todo o homem, mulher e criança que habita o planeta Terra.
Interferem — quase sem entusiasmo — unicamente no final, quando se torna necessário calcular as estatísticas e avaliar os desempenhos; quando há que escolher entre paraísos e infernos.
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