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Não há mais nada, ou tudo o restante não importa.
Apenas buracos.
A vida é uma busca constante e incessante de buracos.
Desde o canal do parto, até à sepultura ou ao forno crematório.
Os túneis, a tua boca aberta, o braço de um heroímano.
As glândulas lacrimais, o caixote do lixo, o futuro.
A porta de acesso ao psiquiatra, as recordações com lacunas, o tempo perdido, as narinas.
Respiramos através de buracos, não te esqueças.
Os poros da pele que se não vêem.
O suspiro e o bocejo.
A tua vulva e o resto das vulvas.
Apenas buracos.
A vida é uma busca constante e incessante de buracos.
Desde o canal do parto, até à sepultura ou ao forno crematório.
Os túneis, a tua boca aberta, o braço de um heroímano.
As glândulas lacrimais, o caixote do lixo, o futuro.
A porta de acesso ao psiquiatra, as recordações com lacunas, o tempo perdido, as narinas.
Respiramos através de buracos, não te esqueças.
Os poros da pele que se não vêem.
O suspiro e o bocejo.
A tua vulva e o resto das vulvas.
Todos os buracos, na realidade, são vulvas encobertas.
Todos vivemos pendurados de um cordão umbilical imaginário, ou passando de um cordão ao seguinte como se fossem lianas (ou cipós).
Somos Tarzans procurando buracos, de liana em liana, por esta selva que é a vida.
As mulheres também.
São todas lésbicas mas algumas, a maioria, fingem-no extremamente bem.
Procuram o circuito perfeito.
Procuram desaparecer através de si mesmas em pose contorcionista.
Todos vivemos pendurados de um cordão umbilical imaginário, ou passando de um cordão ao seguinte como se fossem lianas (ou cipós).
Somos Tarzans procurando buracos, de liana em liana, por esta selva que é a vida.
As mulheres também.
São todas lésbicas mas algumas, a maioria, fingem-no extremamente bem.
Procuram o circuito perfeito.
Procuram desaparecer através de si mesmas em pose contorcionista.
Encerrar o ciclo da vida como as deusas que são.
E se algumas, a maioria, nos abrem as pernas é só por mera solidariedade para connosco.
Para que não nos sintamos sós, imperfeitos.
Nota:
Tudo isto foi-me dito por uma lésbica sincera enquanto circulávamos com o meu táxi pelo túnel que liga a Praça Praça Filipa de Lencastre à rua D. Manuel II.
E quis acreditá-la.
Necessitei acreditá-la.
E se algumas, a maioria, nos abrem as pernas é só por mera solidariedade para connosco.
Para que não nos sintamos sós, imperfeitos.
Nota:
Tudo isto foi-me dito por uma lésbica sincera enquanto circulávamos com o meu táxi pelo túnel que liga a Praça Praça Filipa de Lencastre à rua D. Manuel II.
E quis acreditá-la.
Necessitei acreditá-la.
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