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Não te acerques de um taxista frágil.
Dói-me a luz dos semáforos e contigo estou tão mal como sem mim.
Não te fies num taxista “INSÉTISTA”, dos que beijam como beijam os condenados, de um bobo na fila do INEM.
Dá-me tempo.
Só procuro legendar os meus sonhos, retractar as minhas penas e vendê-las, por entrega ao que oferecer o pior preço.
Sabes bem que caminhar como um caranguejo me ajuda a ganhar alguma distância.
O mau mesmo é o retrocesso.
Já me conheces: sou o típico taxista suicida que nunca se esquece de colocar o cinto.
E o que ainda não sabes: finjo orgasmos com bonecas insufláveis, colecciono monóculos e disseco cadáveres de dúvidas banhados em formol.
Mas eu, amor, não me conheço tanto.
A máscara é o reverso do espelho da alma.
Invento pedras para tropeçar e partir a cabeça.
Invento pedras para tropeçar e partir a cabeça.
E depois choro como um orfão numa piscina de embustes.
É a hora dos mortos de medo: não te aproximes de mim, mas dorme comigo.
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2 comentários:
Pensando bem, há dois anos que não entro num táxi, o tempo passa a 100 à hora.
Táxi Pluvioso
Infelizmente há muitos "fugitivos" ou "esquecidos", daí os maus anos "agrícolas"
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