O VIDEIRINHO

sábado, abril 18, 2015

INTIMIDADE

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Não te acerques de um taxista frágil. 

Dói-me a luz dos semáforos e contigo estou tão mal como sem mim. 

Não te fies num taxista “INSÉTISTA”, dos que beijam como beijam os condenados, de um bobo na fila do INEM. 

Dá-me tempo. 

Só procuro legendar os meus sonhos, retractar as minhas penas e vendê-las, por entrega ao que oferecer o pior preço. 

Sabes bem que caminhar como um caranguejo me ajuda a ganhar alguma distância. 

O mau mesmo é o retrocesso. 

Já me conheces: sou o típico taxista suicida que nunca se esquece de colocar o cinto. 

 

E o que ainda não sabes: finjo orgasmos com bonecas insufláveis, colecciono monóculos e disseco cadáveres de dúvidas banhados em formol. 

Mas eu, amor, não me conheço tanto. 

A máscara é o reverso do espelho da alma. 

Invento pedras para tropeçar e partir a cabeça. 

E depois choro como um orfão numa piscina de embustes. 

É a hora dos mortos de medo: não te aproximes de mim, mas dorme comigo.
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2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Pensando bem, há dois anos que não entro num táxi, o tempo passa a 100 à hora.

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

Infelizmente há muitos "fugitivos" ou "esquecidos", daí os maus anos "agrícolas"