Há fenómenos na natureza de difícil explicação e mais ainda, de difícil entendimento para o comum do cidadão.
Nas divagações pelo céu nocturno, fui descobrir um artigo que me recordou uma visão extraordinária a que assisti (há 40 anos) em pleno Atlântico, a mais ou menos umas 10 milhas do pequeno barco de carga, onde navegava, de Luanda para Cabinda.
A distância (menos de 200 metros, se a milha ainda equivale a cerca de 1850 m) a que se formou um tornado, com a água do mar a ser sugada, com peixes e tudo.
Era um fim do dia, com o sol vermelho rubro a tentar “pôr-se”.
Foi dantesco e tenha a impressão de que ainda hoje cheiro mal, desde esse susto que apanhei … (não fui só eu …).
Não estou a exagerar, só quem assistiu …, á espera de sermos também sugados … por uma tromba de elefante que sugava tudo num vórtice tremendo.
Portanto, na Natureza surgem fenómenos que parecendo paranormais, como por exemplo a aparição da Senhora de Fátima, no cucuruto duma azinheira, a três criancinhas, têm sempre explicação física, ou até química e não só filosófica.
Por vezes até só a palavra do padre já é merecedora de encómios e atestada como prova científica.
Hoje o fenómeno, a que nunca assisti, mas se for necessário, atesto a sua certeza, como o contrário se também for necessário, dependendo do lado em que esteja (a) da burricada.
Pois o fenómeno que vos trago, dá pelo esquisito nome de “parélio” (*), (do grego parelion), que a grosso modo é uma imagem do sol reflectida numa nuvem formada por cristais de gelo.
É um fenómeno óptico pelo qual temos a sensação de ver, sol dum lado, depois um rasto luminoso, outro sol, outro halo luminoso, outro sol …
Este fenómeno ocorre quando as nuvens do tipo cirro, (nuvem branca e ligeira em forma de pena ou de filamentos, que aparece nas regiões superiores da atmosfera), ou seja, nuvens formadas em grande parte por cristais de gelo e distribuídas por largas franjas ao longo do céu, que refractam e reflectem a luz solar, formando grandes halos e dando a ilusão de se estar a ver mais do que um sol no céu.
O vídeo com 54 segundos foi feito em Shubarkurduk, Casaquistão.
Os parélios eram muito bem recebidos pelos marinheiros e viajantes dos tempos antigos, que usualmente, antes de empreenderem as suas viagens, procuravam nos céus os indícios do que poderia ser o clima (algo que se perdeu com a chegada dos meteorologistas).
É que as nuvens do tipo cirro, pertencentes ao grupo do tipo Atlas, regra geral indicam bom tempo.
Não tenhamos dúvidas que os parélios, são sem sombra de dúvida, um dos fenómenos mais belos vistos no nosso planeta.
(*)
A refracção e reflexão da luz nas faces laterais dos cristais de gelo produzem uma série de imagens dispostas num círculo horizontal que passa pelo sol e que antigamente se chamava, “almocântara solar”; é o círculo parélico ordinário.
Em certos pontos deste círculo produzem-se concentrações de luz ou falsos sóis; intersecções de halos, parélios, antélios, parantélios.



4 comentários:
A natureza com os seus fenómenos reduzem-nos frequentemente à nossa pequena dimensão.Mesmo quando o homem se vangloria de quebrar barreiras.
Um abração
Um post interessante.
Uma experiência diferente.
Gostei.
Abraço
Scrapie
Aqui, podemos quebrar os óculos, já no tornado, qual barreira qual quê ... apetecia era fugir pela superfície do mar fora ...
joaovideirasantos
Quem assistiu, diz ser um espectáculo inolvidável.
Perante a natureza, somos mesmo pequenos ...
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