O VIDEIRINHO

sábado, fevereiro 07, 2009

O MUNDO de PABLO NERUDA

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"La Sebastiana" em Valparaiso

Valparaíso, "Isla" Negra, Santiago do Chile … o triângulo perfeito para o famoso Nobel chileno, Pablo Neruda.


Estes foram os lugares eleitos pelo poeta para habitar e criar raízes, com as suas mulheres, as suas histórias perpétuas de amor e de criação literária, (e política).


Na chamada “Jóia do Pacífico”, (Valparaíso), Neruda quis contemplar a baía com todo o seu esplendor, a partir de sua casa.


Escolheu para este fim, uma original moradia no alto da colina da "Bellavista", no cruzamento da Ferrari com a Avenida da Alemanha.


Deu-lhe o nome de “La Sebastiana” e hoje é uma casa museu de inesgotável magia, pelo atractivo do seu ambiente e das curiosas colecções de objectos exóticos que ele, um diplomático e diplomata de esquerda, foi recolhendo pelo mundo.


Tudo isto sem mencionar a singular arquitectura que nos submerge entre um híbrido, uma embarcação e uma varanda com o rosto dum olhar acolhedor e surpreendente, (do quarto de banho, tem-se vista para o mar … e sem porta) pensada para o visitante frequente e amigo.



"La Chascona", Santiago do Chile

Em Santiago do Chile, no Bairro da Bellavista, (veja-se o alcance do nome), deparamo-nos com outra habitação do poeta.


Trata-se de “La Chascona”, um pouco mais íntima, ainda que não menos curiosa (aqui há que dizer que “chacona”, quer significar “despenteada”, que era o apelido que o poeta chamava ao amor da sua vida, Matilde Urrutia, com quem viveu nesta casa).


Incrustada aos pés do Cerro San Cristóbal, (colina de S. Cristovão), esta casa acolhe-nos com belos jardins e obras plásticas de singular beleza, conforme a estética de Neruda.


Dividida em três, com um pátio central, guarda recantos insuspeitos e silenciosos a poucos metros do coração da metrópole.


Seguindo as pistas de Pablo Neruda, uma passagem obrigatória é sem dúvida alguma, o mais surpreendente, nos conduzirá ao “litoral central”, isto é, a costa localizada entre Santiago e Valparaíso.



Pablo Neruda e Matilde Urrutia

"Cerro San Cristóbal"

A casa mais mítica e mais visitada na Isla Negra

A casa da “Isla Negra”, a mais mítica pela magia que inunda toda a povoação, a sua beleza é praticamente indescritível.


É a maior das três, desenhada pelo poeta e ocupada com luxo de detalhes, tem um lugar para tudo: para as inumeráveis garrafas de todas as cores e formas, para as antiguidades da Birmânia, um bar para os amigos (com uma dedicatória a Lorca), para o cavalo branco retirado duma despensa, relembrando sonhos eternos da infância, para aquela tábua flutuante que o oceano pacífico lhe ofereceu um dia, até transformá-lo em escrivaninha de tinta verde e papel … para uma “máquina”; por certo, para os restos do poeta e da sua amada Matilde num jardim que só termina no declive até à praia que abraça o oceano.


Visões inesquecíveis, versos apaixonados e uma história intensa que nos inunda ao encontrar desses lugares, além da emoção de estar perto dele, de ser mais um dos seus amigos e hóspedes.


Por outro lado, a sua faceta política não fica submersa em nenhum momento, as suas fotos junto de Salvador Allende, as suas aventuras como pré-candidato à presidência, a sua dor (o mais forte e o último) antes do golpe de Estado, completam-nos o homem em todas as suas facetas.


Não são poucos os que sabem da forte relação de Neruda com Espanha, a sua grande amizade com Frederico Garcia Lorca, os seus versos lancinantes de, “Com Espanha no coração” e a sua ajuda ás vítimas da Guerra Civil, ficam também, como testemunho da sua incansável humanidade e de como foi um actor protagonista do seu tempo.


Isso mesmo nos mostra uma pequena placa entregue por aqueles espanhóis (agora chilenos) que o recordam com carinho e comovedora lealdade.



Placa oferecida pelos espanhóis que embarcaram no Winnipeg, o barco que levou os perdedores da Guerra Civil, em 1939 até ao Chile

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8 comentários:

Ana Maria disse...

Importante essa história, as imagens são belíssimas.
Beijos!

MENSAGENS AO VENTO disse...

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...muito bom saber mais alguns fatos da vida desse "senhor"!

Belas vivendas, bela mulher...Uma preciosidade a obra que nos deixou...

Beijos de luz e um final de semana especialmente feliz, meu amigo!

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Belenenses Ilustrado - disse...

Confesso que amei este "post".
Gracias à la Vida, Xistosa!
Sempre!

Anónimo disse...

Obrigada por este post.Deu-me vontade de conhecer mais sobre Neruda que confesso conheço mal.
Um abraço

xistosa, josé torres disse...

Ana Maria

Foi um grande poeta e também político.

Passou muito tempo em Espanha durante a Guerra Cívil.

xistosa, josé torres disse...

MENSAGENS AO VENTO

Cara Zélia
Tem uma obra vasta e bela.
Foi considerado um dos maiores de língua castelhana.
Obrigada e bom fim de semana.

xistosa, josé torres disse...

BELENENSES ILUSTRADO

"Gracias a la vida y a la muerte", onde la muerte nos enseña de la fuerza de la vida.

Não sei não ... como disse por e-mail, vejo o futuro negro, eu que só sei que amanhã é outro dia ...
O "hoje" já passou.

xistosa, josé torres disse...

Scrapie

É considerado em diversos meios como o maior poeta de língua castelhana.
Confesso que li alguma coisa dele, mas não entusiasma.
Para mim, o poeta sevilhano, António Machado, foi o maior entre os maiores de língua castelhana.
Mas os gostos são subjectivos.
Até o irmão, Manuel Machado, tem uma rica obra.
Mas ...
Nem todos podem ser do Belenenses !!! Porque ainda estão muito verdes!