O VIDEIRINHO

terça-feira, fevereiro 24, 2009

O VALOR de um ÓSCAR

Para que serve um Óscar da Interpretação?


Descartemos, por ser óbvia, a de reconhecer a melhor actuação da temporada: isso é, quanto muito, discutível.


São poucos os casos em que há um consenso generalizado sobre quem deve ganhar.


Por desgraça, já nos deixaram, Sir Olivier e Brando.


Nem sequer eles ganhavam sempre.


A Paul Newman, que ontem foi muito recordado, deram-lho em 1987, um ano depois de conceder-lhe o honorífico, porque lho deviam e ninguém sabia que ainda havia de chegar “A cor do Dinheiro”.


Meryl Steep só ganha um em cada sete e meio que a nomeiam e isso porque poucos duvidam que ela é uma grande dama do cinema actual.


São dados que falam de uma suspeitosa arbitrariedade.


Por que não ganham sempre os melhores da sua geração?


Porque o Óscar não é justo, mas sim prático.


Tem havido grandes esbanjamentos, como por exemplo a Hilary Swank, em “Boys don’t cry” (Os rapazes não choram”), uma muito jovem actriz que todavia guardava na cartola “Million Dollar Baby” (Sonhos Vencidos) – ambas as vezes para disputá-los a Anette Benning.


Um precedente negativo que não quiseram repetir com Marisa Tomei nesta edição.


Se Jack Palance tivesse lido o bilhete adequado em 1992, (a lenda urbana diz que o homem se enganou, apesar dos desmentidos, mas até o filme do YouTube foi-se …), seguramente que teria sido mais uma rival para Penépole a noite passada.


Os Óscares não são uma recompensa para o trabalho bem feito, são um prémio (é subtil a cambiante).


E como tais prémios distinguem facetas.



ENTREGA DO PRÉMIO DA POLÉMICA, À MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA, EM 1992




Benigni converteu-se num fenómeno sociológico com a película de mais universal Karma e espiritual Tântrico de 1998 (A Vida é Bela) que lhe serviu para que ficasse pelo caminho Ian McKellen (demasiado gay), Edward Norton (demasiado nazi), Tom Hanks (demasiados Óscares ás costas) ou Nock Nolte (demasiado minoritário).


Para que não se passe o mesmo que se passou com Peter O’toole, que teve que contentar-se em recolher o honorífico em 2003, depois de sete tentativas falhadas (para voltar a ser nomeado e perder em 2007 com “Vénus”), Kate Winslet pode dizer “prova superada”.


Maquiavélicas estratégias de compensação que fazem que Nicole Kidman e Julia Roberts, deixaram de ser um par de rebenta bilheteiras dum momento para o outro.


E, que será mais útil para a indústria: fortalecer Sean Penn – (uma lustrosa estrela intelectual) com um segundo vazio tronco oco, ou premiar o muito previsível Mickey Rourke?


Uma coisa é fazer renascer os ídolos caídos e outra, disparar sobre o pé e desperdiçar alguém, que, seguramente, volta a perder-se nos infernos.


Nem todos aproveitam, se podem perguntar a Halle Barry que a aposta nela foi algo errado.


Passar-se-á o mesmo com Marion Cotillard que não estreou nada desde “La vie en rose”?


Penélope contava em todas as apostas pela necessidade de criar estrelas e legitimar as bonitas.


É uma tendência que ficou patente nas últimas edições.




Desde que em 1997 Curtis Hanson realizou um milagre, de redimir a muito sexual Kim Bassinger como actriz séria em “A Confidente”, só uma grande dama como Judi Dench, uma eterna nomeada como Marcia Gay Harden e uma ortodoxa inglesa como Tilda Swinton, o ano passado, levaram a água ao seu moinho sem serem protótipos de modelo/actriz.


O resto: boas e bonitas.


Boas e bonitas.


Boas e bonitas, para chegar ao prestígio dos cartazes das estreias Hollywoodescas.


Vende mais o cartaz de “O Dia em que a Terra Parou” se além de tudo incluírem a foto de Jennifer Connelly e do seu longo cabelo a aparecer por cima do seu nome, ganhadora de um Óscar da Academia, a mesma chamada que persegue desde 1999 Angelina Jolie (por “Vida Interrompida”).


Em 2002 chega a vez de Catherine Zeta-Jones, que já estava farta de ser só a mulher de Michael Douglas e do Zorro.




Mariza Tomei

2003 para Renée Zellweger e 2004 para Cate Blanchett, por ser bonita, jovem e porque Natalie Portman, já teria passado o prazo de validade.


Que Rachel Weiz era grande, já o sabíamos antes de “O jardineiro fiel”, mas os académicos tiveram a valentia de corroborá-lo e criar uma nova estrela trintona, em detrimento duma um pouco apagada Penépole Cruz e na linha de Juliette Binoche 1996), soube-se na gala de 2005.


Hollywood e o seu afã de criar mitos “fanfarrões” mais os bonitos.


Qual é o teu actor favorito?

(O meu é George Clooney)


E qual a tua actriz favorita?

(A minha é Charlize Theron).


Já não se pode ouvir … quem são os bons.


“Syriana” e “Monster” ou “Desejo Assassino”, encarregaram-se de acabar com a imagem dos “só Sex Symbols”.


O mesmo trabalho que agora fez, “Vicky Cristina Barcelona” por Penélope Cruz.


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2 comentários:

Luís Maia disse...

Eu nessas coisas sou muito imparcial e sem qualquer indulto, mesmo que crie um tumulto, dava todos os anos o prémio à Meryl Streep, tal como teria dado à Katerine Hepburn, enquanto viva

xistosa, josé torres disse...

Luís Maia

Grande senhora-actriz que o merece, ou merecia.
Mas a voragem dos fazedores de talentos(?), leia-se dinheiro, têm que baralhar ...