O VIDEIRINHO

sábado, maio 11, 2013

R'AIVA

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"Como sempre afirmei e continuo a afirmar, sou imortal e até agora não há ninguém que me possa contradizer. 
É esta imortalidade que me dá para viver !!!"


Não há motivos para o optimismo. 

Roubam-nos mesmo nas nossas fúcias, olhem Chipre e 'aqui ao lado', Falete, salta para uma piscina cheia de 'piranhas' e bate um novo recorde mundial (digo eu). 

A anestesia existencial entorpece-nos o juízo e até os hospitais psiquiátricos serão a pagar. 

No entanto ainda nos resta um certo espaço entre o água e o tecto, essa baforada de ar prévia à asfixia, e a cada qual a sua. 

No meu caso é isto mesmo, as palavras que agora estás a ler e continuarás a ler, ainda que só seja por curiosidade em saber como termino o presente post, se acabarei por morrer antes de ti, ou no fim sairei do armário, (muitos continuam a acreditar que sou maluco, ou lunático, ou gay … sei lá), ou escrevendo uma dessas frases que dissecam a alma. 

 

Com frequência, quando ligo o monitor e me disponho a teclar tenho uma branca, abro os olhos e penso nas unhas daquela utente que viajou no meu táxi esta mesma tarde, ou no cheiro a eucalipto daquele cego que depois se sentou no banco ao lado do meu (se fechar os olhos, ainda me cheira a eucalipto), ou na tanga que guardo religiosamente debaixo da almofada sem a qual se torna impossível dormir, e então, surgem as palavras e vejo coisas no monitor e teclo, vítima de uma paixão desmedida e, o tempo detém-se, como naquela vez que te beijei, uma segunda-feira e, ao abrir os olhos, já era terça e nenhuma troika, nem nenhuma Merkel, ou sequer um láparo ou um licenciado de merda, em merda, poderão com isso. 

 

Não me poderão tirar este último alento que contenho, ainda que, mesmo com o risco de ficar roxo, porque toda a capacidade expressiva, toda a obsessão, me tornam imortal. 

O deles é imoral e eu sou imortal agora. 

Ganho-lhes por um "r". 

De raiva, suponho. 
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