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A viagem Caracas-Paris de Jean Pierre, um francês de 44 anos,
fazia escala no Porto (por uma escolha mais económica).
Tinha três horas de espera e apetecia-lhe conhecer um pouco da cidade; assim decidiu apanhar um táxi no aeroporto e pedir ao taxista fazer de guia.
Jean Pierre tinha os olhos mais vivos como eu jamais tinha visto.
Sentou-se a meu lado e num perfeito inglês solicitou-me que improvisasse os destinos.
Durante os primeiros quilómetros do trajecto que eu delineara, contou-me o que o tinha trazido até aqui, uma história que me deixou surpreso.
Jean Pierre foi mecânico de aviões militares em França até que, à idade de 42 anos, diagnosticaram-lhe um cancro terminal.
O médico deu-lhe seis meses vida.
Ao conhecer a notícia, vendeu todas as propriedades e outros bens e, sem dizer nada à sua ex-mulher, nem aos seus filhos, dispôs-se a viajar por todo o mundo para aproveitar até ao último suspiro e fazer tudo aquilo que tinha pendente há uns anos.
Tinha três horas de espera e apetecia-lhe conhecer um pouco da cidade; assim decidiu apanhar um táxi no aeroporto e pedir ao taxista fazer de guia.
Jean Pierre tinha os olhos mais vivos como eu jamais tinha visto.
Sentou-se a meu lado e num perfeito inglês solicitou-me que improvisasse os destinos.
Durante os primeiros quilómetros do trajecto que eu delineara, contou-me o que o tinha trazido até aqui, uma história que me deixou surpreso.
Jean Pierre foi mecânico de aviões militares em França até que, à idade de 42 anos, diagnosticaram-lhe um cancro terminal.
O médico deu-lhe seis meses vida.
Ao conhecer a notícia, vendeu todas as propriedades e outros bens e, sem dizer nada à sua ex-mulher, nem aos seus filhos, dispôs-se a viajar por todo o mundo para aproveitar até ao último suspiro e fazer tudo aquilo que tinha pendente há uns anos.
Nova Iorque foi o
seu primeiro destino.
Instalou-se no Brooklyn e ali deu-lhe para colocar em prática um amor frustrado: a pintura.
Começou a pintar retratos de pessoas.
Em pouco tempo e contra todos os prognósticos, os seus retratos começaram a ter sucesso e a notícia espalhou-se.
Pediam-lhe cada vez mais retratos e ofereciam-lhe cada vez mais dinheiro por eles.
Segundo me disse, agora já pintava bem, tinha sucesso, porque nos seus traços notava-se a luminosidade de quem perdeu o medo à vida.
Em Brooklyn enamorou-se de uma negociante de arte.
Ela não sabia que lhe restavam cerca de dois meses de vida, assim optou por fugir da dor e viajou para Sul.
Instalou-se num dos bairros mais perigosos de Caracas (Venezuela).
Sem dúvida que se sentiu livre.
“Nada melhor do que estar perto da morte para viver sem medo a nada”, disse-me.
Instalou-se no Brooklyn e ali deu-lhe para colocar em prática um amor frustrado: a pintura.
Começou a pintar retratos de pessoas.
Em pouco tempo e contra todos os prognósticos, os seus retratos começaram a ter sucesso e a notícia espalhou-se.
Pediam-lhe cada vez mais retratos e ofereciam-lhe cada vez mais dinheiro por eles.
Segundo me disse, agora já pintava bem, tinha sucesso, porque nos seus traços notava-se a luminosidade de quem perdeu o medo à vida.
Em Brooklyn enamorou-se de uma negociante de arte.
Ela não sabia que lhe restavam cerca de dois meses de vida, assim optou por fugir da dor e viajou para Sul.
Instalou-se num dos bairros mais perigosos de Caracas (Venezuela).
Sem dúvida que se sentiu livre.
“Nada melhor do que estar perto da morte para viver sem medo a nada”, disse-me.
Mas o milagre chegou depois.
Voltou a ir a um outro médico e este deu-lhe uma boa notícia: o cancro tinha regredido.
Já não ia morrer.
Já se passaram dois anos daquele pesadelo e Jean Pierre continua vivo, viajando e vivendo dos seus retratos.
Esta mesma tarde regressa a Paris para resolver uns assuntos pendentes com a sua família e depois voltará a Brooklyn.
A pintar e a reencontrar-se com aquele grande amor.
NOTA:
O tour e a conversa durou um pouco mais do que uma hora.
Depois estacionei o táxi e levei-o a visitar a Quinta de Serralves.
Ao despedir-me na zona das partidas do aeroporto de Pedras Rubras deu-me o seu telefone e eu o meu ("quero voltar com mais calma e pintar-lhe um retrato", disse-me).
Demos um abraço e precisamente antes de ir, soltou uma dessas frase que gelam a alma:
“O cancro salvou-me a vida”.
Voltou a ir a um outro médico e este deu-lhe uma boa notícia: o cancro tinha regredido.
Já não ia morrer.
Já se passaram dois anos daquele pesadelo e Jean Pierre continua vivo, viajando e vivendo dos seus retratos.
Esta mesma tarde regressa a Paris para resolver uns assuntos pendentes com a sua família e depois voltará a Brooklyn.
A pintar e a reencontrar-se com aquele grande amor.
Tirada DAQUI
O tour e a conversa durou um pouco mais do que uma hora.
Depois estacionei o táxi e levei-o a visitar a Quinta de Serralves.
Ao despedir-me na zona das partidas do aeroporto de Pedras Rubras deu-me o seu telefone e eu o meu ("quero voltar com mais calma e pintar-lhe um retrato", disse-me).
Demos um abraço e precisamente antes de ir, soltou uma dessas frase que gelam a alma:
“O cancro salvou-me a vida”.
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1 comentário:
E agora caem-lhe as mulheres em cima a pedir indemnizações.
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