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Uma
égua e um cavalo.
A égua está com o cio.
O cavalo aproxima-se da égua e
coloca-se atrás dela.
A égua não se move.
O cavalo cheira-a brevemente e tem
uma erecção repentina.
A égua continua na mesma posição.
O cavalo agita-se e
num só impulso monta a égua.
Penetra-a com facilidade.
A égua continua quieta e
não demonstra nenhuma agitação.
O cavalo acelera o seu vaivém e em menos de um
minuto detém-se por completo.
Quase se deixa cair sobre o lombo da égua e não
parecem incomodados um com o outro.
O membro do cavalo relaxa-se e retrai-se.
Por fim o cavalo coloca as quatro patas no solo.
A égua nem sequer se volta
para vê-lo e ao fim de uns momentos dá uns passos para diante, como se nada se
tivesse passado.
O cavalo tarda um pouco em recompor-se.
Respira profundamente e
dá meia volta.
Tudo permanece na mesma.
Creio que não são os dedos polegares,
nem a linguagem, nem a capacidade de nos reconhecermos num espelho, nem a
habilidade de somar e subtrair, nem a de
viver em sociedade, o que nos faz diferentes dos animais.
Não é isso, senão o
facto de que desejamos sexualmente alguns indivíduos da nossa mesma espécie e a
outros não.
Somos diferentes porque escolhemos o nosso par e não saltamos para
cima d@ primeir@ que aparece pela frente, mas sim com aquele ou aquela que nos
inspira algo, ainda que seja banal.
Temos fantasias elaboradas onde o sexo não
é a única coisa que importa, mas sim a maneira e o que isso significa.
E a
nossa resposta sexual é directamente proporcional à admiração que nos suscita o
outro e também ao amor.
Ou pelo menos assim deveria se.
Porque se há gentes que
têm relações sexuais como o dos cavalos, ou dos cães ou qualquer outro
mamífero, insecto ou ave, em que a alma não está envolvida e chegam a
converter-se num ser cego, dominado pela parte genital… seria um golpe muito
duro para os partidários da evolução.
Se vai fazer-se, que se faça com paixão e
se for possível que seja o melhor.
Envolver o
cérebro nestes assuntos nunca é demais.
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2 comentários:
Saltar para cima da primeira que aparece não é má política, pelo menos fica-se com mais histórias para contar.
E não se perde a elasticidade...
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