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Chegou-me á mão uma biografia do guionista, cineasta e produtor
Willy Wilder, da autoria de Ed Sikov e, na postura de táxis, “dando uma” de leitura,
deparei-me com a seguinte anedota:
Uma história muito querida de Wilder relata
a desventura de um amigo, cujo pai o descobriu enquanto estava a fazer uma
p******, digo a masturbar-se e lhe sentenciou que se o fizesse mais cinquenta vezes, morreria.
Aterrorizado, o garoto cessou a prática, mas só durante um dia
ou dois; depois já não pôde aguentar mais e voltou de novo aos maus hábitos.
Assaltado pela sensação da sua morte iminente, o garoto começou a assentar cada
sessão de pu…, masturbação, numa folha de papel, apontando os seus orgasmos,
tal e qual como um aviador da primeira guerra mundial fazia marcas no seu
avião, com a diferença, claro, de que neste caso ele era a sua própria vítima.
A princípio, contava Wilder, o jovem masturbava-se um par de vezes por semana,
depois só uma.
Finalmente, chegou a marca quarenta e nove.
Segundo Wilder:
“Escreveu uma carta de despedida para os seus pais na qual explicava como tinha
tentado resistir; agora ia a caminho da morte e pedia-lhes que o perdoassem”.
Depois de fazer deslizar a carta por debaixo da porta do quarto dos pais,
retornou ao seu quarto e masturbou-se até à morte… mas não a morte do corpo e
da alma, mas sim a da sua fé no seu pai.
A partir de então, não voltou a
acreditar numa só palavra do que dizia o seu pai.
Nisto entra no meu táxi um
pai com o seu filho adolescente.
Fecho o livro, o pai indica-me o seu destino e
de seguida começam a falar entre eles.
Pelo que me é dado escutar da sua
conversação, o jovem ainda se encontra naquela fase limite de confiança para
com o seu pai, aquele ponto de inflexão entre o respeito e a dúvida.
O caso é
que ainda não mostrava o típico gesto de quem conhece a nobre arte da
masturbação, esse brilho nos olhos que denuncia a perca da inocência, essa cara
de suave assombro regalado, esse indício a dissimulação.
O trajecto foi curto.
O pai pagou, foi o primeiro a sair do táxi e ao sair, o jovem vi-o olhar
fixamente numa miúda de minissaia muito curta de ganga, uns peitos já generosos
e então, agarrei-o pelo braço e disse-lhe
– Calma.
Diga o que disser o teu pai
não morrerás.
Também não ficarás cego.
Para meu assombro, em lugar de se
assustar, o jovem sorriu.
Sabia algo.
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