O VIDEIRINHO

quinta-feira, maio 16, 2013

TRABALHO MANUAL MATA

.




Chegou-me á mão uma biografia do guionista, cineasta e produtor Willy Wilder, da autoria de Ed Sikov e, na postura de táxis, “dando uma” de leitura, deparei-me com a seguinte anedota: 

Uma história muito querida de Wilder relata a desventura de um amigo, cujo pai o descobriu enquanto estava a fazer uma p******, digo a masturbar-se e lhe sentenciou que se o fizesse mais cinquenta vezes, morreria

Aterrorizado, o garoto cessou a prática, mas só durante um dia ou dois; depois já não pôde aguentar mais e voltou de novo aos maus hábitos. 

Assaltado pela sensação da sua morte iminente, o garoto começou a assentar cada sessão de pu…, masturbação, numa folha de papel, apontando os seus orgasmos, tal e qual como um aviador da primeira guerra mundial fazia marcas no seu avião, com a diferença, claro, de que neste caso ele era a sua própria vítima. 


A princípio, contava Wilder, o jovem masturbava-se um par de vezes por semana, depois só uma. 

Finalmente, chegou a marca quarenta e nove. 

Segundo Wilder: 
Escreveu uma carta de despedida para os seus pais na qual explicava como tinha tentado resistir; agora ia a caminho da morte e pedia-lhes que o perdoassem”. 

Depois de fazer deslizar a carta por debaixo da porta do quarto dos pais, retornou ao seu quarto e masturbou-se até à morte… mas não a morte do corpo e da alma, mas sim a da sua fé no seu pai. 

A partir de então, não voltou a acreditar numa só palavra do que dizia o seu pai. 

Nisto entra no meu táxi um pai com o seu filho adolescente. 

Fecho o livro, o pai indica-me o seu destino e de seguida começam a falar entre eles. 

 

Pelo que me é dado escutar da sua conversação, o jovem ainda se encontra naquela fase limite de confiança para com o seu pai, aquele ponto de inflexão entre o respeito e a dúvida. 

O caso é que ainda não mostrava o típico gesto de quem conhece a nobre arte da masturbação, esse brilho nos olhos que denuncia a perca da inocência, essa cara de suave assombro regalado, esse indício a dissimulação. 

O trajecto foi curto. 

O pai pagou, foi o primeiro a sair do táxi e ao sair, o jovem vi-o olhar fixamente numa miúda de minissaia  muito curta de ganga, uns peitos já generosos e então, agarrei-o pelo braço e disse-lhe 

– Calma. 
Diga o que disser o teu pai não morrerás.
Também não ficarás cego. 

Para meu assombro, em lugar de se assustar, o jovem sorriu. 

Sabia algo. 
.

Sem comentários: