O VIDEIRINHO

sexta-feira, maio 10, 2013

BARBAS COMO RELÓGIOS

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Nós os homens, ao contrário de “vossemecêzes” mulheres, sentimos a passagem das horas no nosso próprio rosto. 

A barba cresce e de certo modo pica-nos o decurso do tempo, o qual nos torna mais conscientes do instante presente. 

Alguns homens barbeiam-se todas as manhãs numa tentativa de cortar o seu tempo, de contê-lo. 

E ao lavar a lâmina debaixo da torneira, esses resquícios de tempo que a água arrasta acabam por entupir o esgoto. 

De facto, sempre tenho pensado que os picheleiros (canalizadores) são filósofos encobertos (ainda que eles não o saibam). 

Outros ostentamos barba de dois dias e cortamos a barba a cada dois dias para que sempre pareça uma barba de dois dias e ao vermo-nos ante o espelho pensemos isso mesmo, que a vida são dois dias.

 

Depois estão os que exibem patilhas ou uma ‘perita’, ou bigote, que brincam a ajustar o tempo. 

Ou os sábios com as suas longas barbas. 

Estes vivem acima do tempo. 

Arrastam os restos das suas horas como se o cérebro segregasse experiência através da peneira da pele. 

Ou os de barba ou bigode postiço, que são ladrões de tempo. 

Todos, em suma, gerimos o nosso tempo de uma maneira ou de outra. 

E nota-se-nos. 

Vós mulheres, no entanto (e por motivos óbvios), sois intemporais. 
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