O VIDEIRINHO

quinta-feira, maio 23, 2013

RAPTO DIGITAL

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Reconheci a minha passageira imediatamente logo após ela entrar no meu táxi. 

Eu segui-a no Twitter; curiosamente ela também me seguia. 

Não era uma “twitteira” conhecida, apenas uns duzentos seguidores, mas há algum tempo chegou-me algo seu, realmente engenhoso e decidi agregá-la. 

A sua foto de perfil coincidia, sem qualquer dúvida, era ela, mas não disse nada. 

Só ouvi o seu destino, accionei o taxímetro e iniciei a marcha em silêncio. 

No primeiro semáforo olhei-a através do espelho retrovisor e verifiquei que ela teclava algo. 

Supus que estava a escrever um tweet; assim, dissimuladamente, entrei no seu perfil a partir do meu telemóvel. 

Com efeito, tinha publicado o seguinte: 
Num táxi a caminho do cardenho. 
Oxalá que o taxista aumente o som da música, me rapte, e me leve para longe". 


Sem pensar duas vezes, aumentei o volume da música quase para o máximo, accionei a segurança das portas, acelerei rapidamente, procurei a autoestrada e segui no sentido inverso ao do seu destino. 

Ela teve um estremecimento: 

- O que está a fazer? Perguntou-me 

– A raptá-la, disse. 

– Mas o que se passa? 
Leu o que escrevi no Twitter? Voltou a perguntar-me. 

– O que é o Twiiter? Perguntei. 

E contra todo os prognósticos, a passageira começou a gritar e a golpear o vidro e a porta como uma louca. 

Nota: 
Agora mais a sério, quem é que entende as mulheres? 
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2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Eu para seguir alguém no Twitter uso sempre óculos escuros para não ser reconhecido.

Jose Torres disse...

... eu levanto a gola da minha velha e coçada gabardina!