O VIDEIRINHO

sexta-feira, maio 24, 2013

RESSENTIMENTO

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Foi um encontro fácil, rápido, um encontro “ás escuras”, ás cegas. 

Tinha escolhido o mais atrevido das suas roupas de “guerra”, a mini saia mais curta, a t-shirt mais justa e decotada e as sandálias mais altas, sorriu ao olhar a sua roupa interior... tudo o mais, para os momentos menos, pensou. 

Sombra e rímel nos olhos, lápis fino marcando os lábios e brilho nos mesmos, ressentimento no coração. 

Ela sempre foi das que pensaram, “combater o fogo com fogo” e, esta noite, ia colocar em prática este lema. 

O encontro foi divertido, houve rápida cumplicidade, muitos sorrisos, jogos de palavras, gestos provocativos, por isso, quando ele tilintou as chaves do carro na sua mão, não hesitou. 

 

A noite aliou-se com eles, aromas de verão, suave brisa, estrelas, mar. 

Estendidos sobre a toalha, as mãos brincavam com a areia da praia ainda morna, os lábios ávidos recriavam-se sobre o seu pescoço. 

Começava a deixar de pensar, queria somente sentir. 

Notou as mãos masculinas por debaixo da sua t-shirt e ainda teve uma lembrança para o ausente, para ele, que a tinha levado a cumes insuspeitados de desejo e prazer. 

Quando os dedos desceram, deslizando pelo seu ventre, separando-lhe as pernas, recordou o seu sorriso, apertou fortemente os olhos. 

Uma pequena lágrima rolou-lhe pela face e um último pensamento cruzou a sua mente: o amor é para ti, para ti. 
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