O VIDEIRINHO

quarta-feira, junho 05, 2013

MEMÓRIAS

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Levo-te comigo, amor, no olhar, nas pupilas vermelhas congeladas nesta foto absurda e encarquilhada. 

Levo-te comigo nas feridas que as tuas unhas desenharam nas minhas costas, no doce vaivém de fêmea entregue e submissa. 

Levo-te comigo, amor, num fio de cabelo que escapou de entre as tuas pernas e se esconde na minha boca e não se vai, e eu também não quero que o faça. 


Levo-te comigo numa fugaz grinalda de hematomas, feita com ondulações pélvicas de amor impaciente, no aroma da tua flor violeta que abri e que, dissimuladamente, cheiro das minhas mãos molhadas. 

Levo-te comigo no sangue e parto já, antes que a alva faça a sua entrada, no sangue que bebi de teu pescoço em borbotões e que também levo, deixando-te adormecida e bela, para sempre máscara e amor.
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