.
É fácil encontrar qualquer coisa.
Armas, um assassino profissional, um “papel” de cocaína, miúdos, documentos, restos ósseos, psiquiatras, medalhas, arte sacra.
Selecciono a mulher adequada de entre um rosário de cem.
Cabelo ondulado, olhos escuros, sardas, mamas nem grandes nem pequenas, simplesmente “aquela” medida, pele bronzeada e voz doce.
Desligo o taxímetro e travo o meu táxi à sua altura.
Deito a cabeça de fora e aproximar-se-á.
Exponho-lhe as minhas necessidades: “francês”, “grego profundo”, submissão.
Negoceio um preço.
Com o que pago não só compro o seu tempo; como também anulo sua vontade.
Invento uma cena que apazigúe os meus traumas:
- Chamar-te-ás Eduarda e tratarás de resistir-me.
Brigaremos primeiro durante pelo menos dez minutos, e depois deixar-te-ás levar e fingirás que gostas.
Ausência para o pequeno almoço
Atingirás o clímax orgasmático quando eu o atingir também e dormirás abraçada a mim, acariciando-me o cabelo.
De manhã tomaremos o pequeno almoço em silêncio enquanto leio o jornal.
Depois do pequeno almoço poderás partir.
Contrato fechado?
- Sim.
- Agora diz-me que me queres.
- Quero-te.
- Diz-me: és o homem da minha vida.
- És o homem da minha vida.
Neste caso 500€ equivalem a duas descargas de esperma machão, três contusões que esconderás com maquilhagem e uma notável descida do meu nível de ansiedade.
O nosso acordo comercial eximir-me-á de toda e qualquer culpa: o preço fê-lo ela.
Ela aceitou as minhas condições.
Nota:
Querias capitalismo?
Vendo-te meia dúzia de copos.
.


Sem comentários:
Enviar um comentário