O VIDEIRINHO

sexta-feira, junho 21, 2013

TUDO TEM PREÇO

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É fácil encontrar qualquer coisa. 

Armas, um assassino profissional, um “papel” de cocaína, miúdos, documentos, restos ósseos, psiquiatras, medalhas, arte sacra. 

Selecciono a mulher adequada de entre um rosário de cem. 

Cabelo ondulado, olhos escuros, sardas, mamas nem grandes nem pequenas, simplesmente “aquela” medida, pele bronzeada e voz doce. 

Desligo o taxímetro e travo o meu táxi à sua altura. 

Deito a cabeça de fora e aproximar-se-á. 

Exponho-lhe as minhas necessidades: “francês”, “grego profundo”, submissão. 

Negoceio um preço. 

Com o que pago não só compro o seu tempo; como também anulo sua vontade. 

Invento uma cena que apazigúe os meus traumas: 

- Chamar-te-ás Eduarda e tratarás de resistir-me. 
Brigaremos primeiro durante pelo menos dez minutos, e depois deixar-te-ás levar e fingirás que gostas. 

 Ausência para o pequeno almoço

Atingirás o clímax orgasmático quando eu o atingir também e dormirás abraçada a mim, acariciando-me o cabelo. 
De manhã tomaremos o pequeno almoço em silêncio enquanto leio o jornal. 
Depois do pequeno almoço poderás partir. 
Contrato fechado? 

- Sim. 

- Agora diz-me que me queres. 

- Quero-te. 

- Diz-me: és o homem da minha vida. 

- És o homem da minha vida. 

Neste caso 500€ equivalem a duas descargas de esperma machão, três contusões que esconderás com maquilhagem e uma notável descida do meu nível de ansiedade. 

O nosso acordo comercial eximir-me-á de toda e qualquer culpa: o preço fê-lo ela. 

Ela aceitou as minhas condições. 

Nota: 
Querias capitalismo? 
Vendo-te meia dúzia de copos.
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