O VIDEIRINHO

sexta-feira, junho 07, 2013

HERANÇA DE SILICONE (PARTE I)

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- O meu pai morreu o ano passado e com o dinheiro da herança fiz uma operação ás mamas. 

Não sei porque te conto isto; vou um pouco borracha, mas pareces-me um tipo simpático e além do mais, na tua idade já terás escutado de tudo no táxi. 

Como estava a dizer, o meu pai morreu em Julho, tratámos de toda a papelada burocrática até Setembro e em Outubro ganhei um par de mamas novas. 

Gastei integralmente os 4250€. 

Além do mais, quando fui para a clínica, disse ao cirurgião que queria colocar as mamas até ao valor de 4250€; não sabendo para que tamanho tal quantia daria. 

 


Não fazia a mínima ideia do custo da operação, mas dava-me remorsos de consciência ter esse dinheiro por aí, apodrecendo no banco: aquele dinheiro cheirava a morto; sabes o que eu quero dizer. 

No final puseram-me um par de implantes de silicone e a verdade é que fiquei com umas mamas fabulosas. 

Estás a ver? 
(e de supetão, desabotoou a blusa mostrando dois magnéticos, (para o homem), proeminentes implantes à medida do cliente, neste caso, da cliente). 

Estou contente com o resultado, afianço-te, mas agora que já temos mais confiança, confesso-te que acaba de se passar algo muito, muito opressivo. 


Não sei… necessitava contá-lo a alguém pá, vieste mesmo a propósito. 

Posso tratar-te por tu, não é verdade ? 

– Sim, disse-lho através do espelho retrovisor do táxi. 

– Bom, pois outro dia, há um par de dias ou três, fui a um bar com uma amiga, um “afterwork”, desses de whiskys, cervejas ou gins tónicos, sabes como é e nisto, dou conta de que na outra extremidade do balcão está um homem bonito (ainda que um pouco velho para o meu gosto) que não parava de olhar-me, não sei se a mim, se ás minha mamas. 

A minha amiga deixou-me um momento para ir ao quarto de banho e o homem aproveitou, aproximou-se, muito educadamente apresentou-se e começámos a falar. 

CONTINUA...
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