.
Desde que fiz a tatuagem de um táxi no meu peito, conduzo,
como que por dentro de mim mesmo.
Quando sinto ansiedade acaricio-me no táxi e
relaxo-me.
Quando dormes com a tua cabeça apoiada no táxi do meu peito, sonhas
sempre que viajas nesse mesmo táxi tatuado e eu conduzo-o sulcando ancas,
ventres e umbigos que são rotundas, ou paramos para abastecer na estação de
serviço da tua boca.
Suponho que a tatuagem acede a ti através do ouvido e essa
mesma tinta atravessa o tímpano, encharca o teu subconsciente e acaba a escrever
o guião dos teus sonhos.
Noutro dia senti uma forte dor por altura do capot da
tatuagem.
Fui ao médico, pediu-me para respirar profundamente e tossir e ao
escutar a minha tosse, deixou tudo claro:
- Faltam-te os pistões.
O tabaco,
suponho.
O certo é que me mandou operar de urgência e aqui estou, na sala de
operações.
Acabam de me anestesiar e agora um cirurgião está a acercar-se de
mim com um bisturi na mão.
Parece que pretende cortar o táxi em dois.
Mas não
estou preocupado.
Este post também é um sonho.
.


Sem comentários:
Enviar um comentário