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Agora há outro corpo ‘desplumado’ na minha cama.
Está adormecida.
Ou morta.
Exibe uma pequena tatuagem na nuca.
Não reparei nela ontem à noite.
Cobria-a o cabelo ou talvez fosse a minha cegueira.
É um código de barras, com as suas linhas verticais e o seu código numérico debaixo.
Fiquei intrigado com o produto a que se referiria.
Introduzi a sequência numérica no navegador do meu telemóvel: 7891000148105.
É do leite em pó para bebés.
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| Tirada daqui |
Procuro na mesinha de cabeceira (criado mudo), no chão, debaixo da cama, no caixote do lixo.
Não há preservativos usados, nem embalagens de preservativos abertas.
Comprovo a caixa de 12 na gaveta; não falta nenhum.
Ela está nua.
Há manchas brilhantes nos lençóis.
Sensação de vazio inguinal.
Elementar, querido Watson.
Afasto-lhe o cabelo do seu rosto.
Não sei o seu nome, não sei quem é, mas recorda-me algo.
Recordam-me os seus olhos reflectidos no espelho retrovisor do meu táxi.
Recorda-me que parecia deprimida.
Recorda-me de um bar.
Recorda-me outro bar.
E um terceiro.
E um quarto bar...
Acerco-me devagar dos seus lábios adormecidos ou mortos.
Encosto os meus.
Beijo-a.
Outro flash-back: ao quinto whisky ela disse-me:
- “Necessito sentir algo dentro, que se mova algo dentro de mim”.
Pensei que era uma metáfora.
Voltei-o-lhe o corpo adormecido.
Ou morto.
Apoio a minha cabeça no seu ventre.
A minha orelha aspirando o seu umbigo.
Oiço coisas.
Adormeço.
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1 comentário:
estou a ver que a culpa é do código de barras.
por enquanto ainda não fui á Escócia, mas quem sabe brevemente
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