O VIDEIRINHO

quarta-feira, setembro 21, 2011

CAÍDO DO CÉU

.



Hoje a liberdade incomoda. 

Hoje trocava o meu táxi por um autocarro. 

Rota fixa, horário fixo, menu do dia, esposa pintada de loira, um filho estúpido e o Canal Hot 24. 

Hoje não me apetece pensar mais além do empréstimo do carro e da casa e muito menos na lua. 

Nuvens negras ofuscam a lua. 

Ninguém pode controlar as nuvens. 

Olha Steve Jobs. 

Hoje a liberdade converteu-se numa sacanice. 

Deixas voar a tua mente mas infiltram-se abutres ao cheiro do pensamento carniceiro. 

Quem sou? 

Que merda faço aqui? 

Por que não nasci no Connecticut, ou na Terra Média? 




Por que não nasci koala? 

Para que serve a sensibilidade? 

Que loucura é esta? 

Por que chegam as nuvens justamente quando o sol bronzeia? 

Flashes não controlados. 

Memórias como manchas no teu registo. 

Este processo não vale a pena repetir. 

O meu umbigo não é um botão de RESET. 

Sou crítico porque me amo. 

Penso demasiado porque estou só. 

Não dependo de nada, nem nada depende de mim. 

Por isso o amor é um tirano, Biodramina contra os efeitos secundários do livre actuar. 


O amor é um Estado mental, como Wisconsin mas em etéreo. 

E pode-se encontrar em qualquer lugar e a qualquer hora. 

Talvez se encontre naquela mulher que estende a roupa no segundo andar desse edifício. 

É bonita. 

E limpa. 

E tem olheiras. 

E antena parabólica. 

Nota: 
À mulher do segundo andar caiu-lhe um sutiã estilo "tomara que caia" enquanto estendia. 
Parei o meu táxi em segunda fila e apanhei-o do chão. 

Ela gritou:
- Agora caiu! 
Caiu e arrastou as minhas nuvens.
.

Sem comentários: