O VIDEIRINHO

quinta-feira, setembro 22, 2011

TUDO ISTO É MENTIRA

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Tratam de minar o nosso ânimo ou pior ainda: não lhes importa pívia. 

Toma nota disto: tudo está mau e será fatal amanhã. 

Vale de lágrimas sobre as notícias, os especialistas com olheiras, luto constante nas vozes, luto do meu táxi… 

A esperança é mentira ou convém matá-la porque senão contagia. 

O optimismo não é real. 

Mete-o na cabeça. 

Eu não me posso divorciar se não há dinheiro. 

E não me posso casar se não há empréstimo bancário para a barraca (para não dizer que é, também, para alimentar a famelga). 

O comité gestor do amor estudará o teu caso. 

Tremer não aqui, ali: na sala de espera. 

Mas não faças barulho. 

O ruído incomoda. 

Os jornais são obituários com cupões. 

Recorta cada dia o teu cupão com muito cuidado: não saias da linha pontilhada. 


Cola os cupões, um a um, nas casas correspondentes ao teu livro da vida. 

Envia um SMS para confirmar que estás nas mãos da nossa linha editorial. 

Dar-te-emos um código individual e intransmissível porque tu és único. 

Com esse código irás, em estrito prazo, à loja que te indicaremos, entregarás ao empregado a tua cartilha perfeitamente completada, pagarás a verba que já sabes qual é e, na volta, receberás um televisor ou um detector de radares ou um minicomputador com Z-RAM ou um secador para o cabelo ou uma placa vitrocerâmica portátil ou um jogo de pratos de Bob Esponja ou o que te aconselhamos que necessitas (*). 

Só terás necessitado um mês de rios de bílis, uma mão cheia de euros, tesouras, cola e uma tarde num centro comercial para conseguires os teus objectivos. 


E à saída entrarás no meu táxi e estarás marimbando-te em Passos Coelho ou no pascácio do Paulo Portas, ou ambos, em conformidade com a promoção do jornal que te calhou em sorte. 

E nas tuas noites de insónia confundirás essas saliências da pintura do tecto com pastilhas de Prosac coladas nesse mesmo tecto. 

Leste tudo isto bem?. 

Pois é mentira. 

Tudo isto é mentira. 

As coisas não estão tão mal como as pintam os jornais. 

A tua pele continua lustrosa e as plantas dos meus vasos crescem a um ritmo que até ‘flipas’. 

E se não mastigares as borboletas chegarão intactas ao estômago. 

E ontem telefonou-me um amigo que pensei ter morrido. 

E acabei pela quinta vez a leitura daquele livro de Jonh Irving. 

E escrevi um par de frases decentes naquela ‘boite’ indecente. 

E os guionistas de “Lost” estão chilados. 

E eu não estou surdo porque continuo a escutar a porra, nítida, de "Like a Rolling Stone". 


E o meu táxi é pura casualidade e a casualidade é poesia e poesia é quem tu queiras que seja. 

Que não te enganem os quatro “sopragaitas” ou idiotas que dizem governar o mundo (Merkel, Sarkozy, Trichet, Lagarde). 

Que não te enganem os lambe-cus desse bando dos quatro. 

Não te deixes deprimir. 

Só querem dinheiro. 

O teu e o meu dinheiro!!!

(*) Stock limitado, só até ao fim das existências; corre antes que acabe!
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