Bom dia, boa tarde ou boa noite meu bom povo e minha boa pova; deixo aqui estas linhas para que se estimulem as vossas (linhas ou vidas; escolham).
Quando me sobra tempo fertilizo-me com outro livro.
Obrigado por recordarem-mo.
Deixei de crer na teta de minha mãe como recurso inesgotável de lácteo elemento aberto as vinte e quatro horas do dia; os meus irmãos pediam espaço e direitos e houve que organizar o 'tráfico mamador', com muito pesar meu.
Deixei de acreditar nos jogos e brincadeiras infantis, quando conheci os maiores ressabiados que tinham perdido a sua inocência.
Deixei de acreditar nos que diziam que os Reis Magos não existiam, no dia em que me encontrei com Belchior, escondido atrás de um boneco de peluche que me sorria, de uma prateleira de uma loja, na hora de encerrar.

Deixei de acreditar na razão como bem comum, ao comprovar que por si só não basta para entender, que é, simplesmente, um ingrediente mais do conhecimento humano e que além disso pode converter-se numa fortaleza inexpugnável desde a qual somente se vêem possíveis inimigos.
Deixei de acreditar no ritos sagrados ao ver que o sagrado vai com qualquer um a toda e qualquer parte, quando qualquer, quer e, tudo o mais é teatro.
Deixei de acreditar na “Ideia casa” e outras televendas no momento em que recebi em casa o aparelho que tinha comprado.
Deixei de acreditar nas instituições como protectoras da minha integridade e cheguei a acordo comigo mesmo, numa relação cordial com elas e que não tinha melhor instituição, que os seres com os que se compartilha o carinho.

Deixei de acreditar no sistema de saúde no dia em que tirei a venda dos olhos e cheguei à conclusão de que o que tinham entre mãos não era a gestão da saúde, mas sim o medo.
Deixei de acreditar na aspirina quando apareceu o “Ibuprofeno”, muito mais efectivo como analgésico, para mim e para o meu gosto, claro está.
Deixei de acreditar na ideologia quando conheci os ideólogos bacocos que a emanam.
Deixei de acreditar nos iogurtes quando me disseram que, podiam curar mais enfermidades que todos os medicamentos e tisanas conhecidas.
Deixei de acreditar no meu espelho quando regressei de férias e me reconheci.

Deixei de acreditar na personalidade no dia em que salvei a vida por parecer outra pessoa.
Deixei de acreditar na sorte quando me apresentaram à tenacidade, à perseverança e ao carácter.
Deixei de acreditar em muitas coisas, ao longo da minha vida, mas talvez porque seja demasiado crente e fácil de enganar.
Deixei de acreditar na Justiça, mais a mais agora, com o caso “Casa Pia”; com o número de vítimas, muito mais PEDÓFILOS foram ilibados.
Então, para que não fiquem dúvidas, eu quero acreditar.
Passem um bom tempo.
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