O Verão será a estação do amor, mas não o dos casamentos.
Todas as estatísticas, tanto as da paz como as do crime, confirmam que se trata de uma época danada e devastadora.
Agosto costuma ser o mês mais negro do ano quanto ao número de mulheres assassinadas ás mãos dos seus parceiros, enquanto que em Setembro recai, tradicionalmente, o mais elevado número de processos de separação conjugal.
Ou se crê com fanatismo nas casualidades ou deve-se admitir que as férias representam para os casais uma dura prova, que ou se resolve pelo civil ou pelo penal.
Pelo civil sucede assim: uma fulana sonhou todo o ano com a semanita do “tudo incluído” e, ao chegar ao destino, dá-se conta de que o homem por quem num dia se apaixonou não é o mesmo que tem a seu lado.
Apeou-se nalguma curva do Inverno e agora na espreguiçadeira só fica o marido desconhecido.
Quando há filhos, o Verão faz escapar a generosa ajuda da rotina, fundamentalmente se pensamos que uma família é, antes de mais nada, um exercício de logística sublime e frágil.
Ao quebrarem-se os costumes quotidianos, afloram as recriminações e os agravos mútuos, toda a “sujidade” que se camuflou ao longo do passado Inverno.
Salvo o desejo.
E nem sequer se tem à mão a escusa do stress para iludir o débito conjugal.
Depois de um Verão de “serviços mínimos” não há outro remédio que parafrasear Pablo Neruda: é tão curto o amor e tão longo o esquecimento.
A resolução pela via penal açambarca as preferências dos energúmenos incapazes de escutar as palavras de despedida que põem fim à sua tirania.
Dizem as estatísticas que cerca de 40 % dos portugueses culpam as mulheres maltratadas por não saírem de casa.
Os dados não são tão desmoralizadores como em princípio parecem.
Primeiro porque se deduz que 60 % – a maioria, três quintos – não as responsabiliza e é até provável que muitos se interroguem por que não se vai do lar o que maltrata.
E, segundo, porque inclusive quem converte as vítimas em culpadas não se refugia no velho «algo terá de ser feito», mas certamente não parecem compreender algo incompreensível: por que uma mulher livre não foge do seu torturador?
A pergunta não é absurda, além de que está mal formulada desde o princípio.
Uma mulher maltratada pelo seu parceiro não é dona dos seus próprios actos.
Esta mulher sofre em si uma grave deterioração psicológica em que caiu lentamente e vive aterrorizada: o seu estado está próximo do síndrome de Estocolmo, de que padecem os sequestrados.
Os preconceitos são muito parecidos com a ignorância, mas talvez as estatísticas estejam sob a mesma categoria incluindo o machismo e a ignorância e nos façam parecer piores do que realmente somos.
O mundo é tão calmo ...
.
Todas as estatísticas, tanto as da paz como as do crime, confirmam que se trata de uma época danada e devastadora.
Agosto costuma ser o mês mais negro do ano quanto ao número de mulheres assassinadas ás mãos dos seus parceiros, enquanto que em Setembro recai, tradicionalmente, o mais elevado número de processos de separação conjugal.
Ou se crê com fanatismo nas casualidades ou deve-se admitir que as férias representam para os casais uma dura prova, que ou se resolve pelo civil ou pelo penal.
Pelo civil sucede assim: uma fulana sonhou todo o ano com a semanita do “tudo incluído” e, ao chegar ao destino, dá-se conta de que o homem por quem num dia se apaixonou não é o mesmo que tem a seu lado.
Apeou-se nalguma curva do Inverno e agora na espreguiçadeira só fica o marido desconhecido.
Quando há filhos, o Verão faz escapar a generosa ajuda da rotina, fundamentalmente se pensamos que uma família é, antes de mais nada, um exercício de logística sublime e frágil.
Ao quebrarem-se os costumes quotidianos, afloram as recriminações e os agravos mútuos, toda a “sujidade” que se camuflou ao longo do passado Inverno.
Salvo o desejo.
E nem sequer se tem à mão a escusa do stress para iludir o débito conjugal.
Depois de um Verão de “serviços mínimos” não há outro remédio que parafrasear Pablo Neruda: é tão curto o amor e tão longo o esquecimento.
A resolução pela via penal açambarca as preferências dos energúmenos incapazes de escutar as palavras de despedida que põem fim à sua tirania.
Dizem as estatísticas que cerca de 40 % dos portugueses culpam as mulheres maltratadas por não saírem de casa.
Os dados não são tão desmoralizadores como em princípio parecem.
Primeiro porque se deduz que 60 % – a maioria, três quintos – não as responsabiliza e é até provável que muitos se interroguem por que não se vai do lar o que maltrata.
E, segundo, porque inclusive quem converte as vítimas em culpadas não se refugia no velho «algo terá de ser feito», mas certamente não parecem compreender algo incompreensível: por que uma mulher livre não foge do seu torturador?
A pergunta não é absurda, além de que está mal formulada desde o princípio.
Uma mulher maltratada pelo seu parceiro não é dona dos seus próprios actos.
Esta mulher sofre em si uma grave deterioração psicológica em que caiu lentamente e vive aterrorizada: o seu estado está próximo do síndrome de Estocolmo, de que padecem os sequestrados.
Os preconceitos são muito parecidos com a ignorância, mas talvez as estatísticas estejam sob a mesma categoria incluindo o machismo e a ignorância e nos façam parecer piores do que realmente somos.
O mundo é tão calmo ...
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2 comentários:
Depois do Verão aumentam os divórcios dizia um jornal hoje.
Táxi Pluvioso
Não estarão dependentes do estado em que se acabam as férias?
Por vezes pode-se regressar de rastos.
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