O VIDEIRINHO

segunda-feira, setembro 06, 2010

TIRANOS

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O Verão será a estação do amor, mas não o dos casamentos.

Todas as estatísticas, tanto as da paz como as do crime, confirmam que se trata de uma época danada e devastadora.

Agosto costuma ser o mês mais negro do ano quanto ao número de mulheres assassinadas ás mãos dos seus parceiros, enquanto que em Setembro recai, tradicionalmente, o mais elevado número de processos de separação conjugal.

Ou se crê com fanatismo nas casualidades ou deve-se admitir que as férias representam para os casais uma dura prova, que ou se resolve pelo civil ou pelo penal.

Pelo civil sucede assim: uma fulana sonhou todo o ano com a semanita do “tudo incluído” e, ao chegar ao destino, dá-se conta de que o homem por quem num dia se apaixonou não é o mesmo que tem a seu lado.

Apeou-se nalguma curva do Inverno e agora na espreguiçadeira só fica o marido desconhecido.





Quando há filhos, o Verão faz escapar a generosa ajuda da rotina, fundamentalmente se pensamos que uma família é, antes de mais nada, um exercício de logística sublime e frágil.

Ao quebrarem-se os costumes quotidianos, afloram as recriminações e os agravos mútuos, toda a “sujidade” que se camuflou ao longo do passado Inverno.

Salvo o desejo.

E nem sequer se tem à mão a escusa do stress para iludir o débito conjugal.

Depois de um Verão de “serviços mínimos” não há outro remédio que parafrasear Pablo Neruda: é tão curto o amor e tão longo o esquecimento.

A resolução pela via penal açambarca as preferências dos energúmenos incapazes de escutar as palavras de despedida que põem fim à sua tirania.

Dizem as estatísticas que cerca de 40 % dos portugueses culpam as mulheres maltratadas por não saírem de casa.

Os dados não são tão desmoralizadores como em princípio parecem.





Primeiro porque se deduz que 60 % – a maioria, três quintos – não as responsabiliza e é até provável que muitos se interroguem por que não se vai do lar o que maltrata.

E, segundo, porque inclusive quem converte as vítimas em culpadas não se refugia no velho «algo terá de ser feito», mas certamente não parecem compreender algo incompreensível: por que uma mulher livre não foge do seu torturador?

A pergunta não é absurda, além de que está mal formulada desde o princípio.

Uma mulher maltratada pelo seu parceiro não é dona dos seus próprios actos.

Esta mulher sofre em si uma grave deterioração psicológica em que caiu lentamente e vive aterrorizada: o seu estado está próximo do síndrome de Estocolmo, de que padecem os sequestrados.

Os preconceitos são muito parecidos com a ignorância, mas talvez as estatísticas estejam sob a mesma categoria incluindo o machismo e a ignorância e nos façam parecer piores do que realmente somos.

O mundo é tão calmo ...

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2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Depois do Verão aumentam os divórcios dizia um jornal hoje.

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

Não estarão dependentes do estado em que se acabam as férias?
Por vezes pode-se regressar de rastos.