FOGO
que arde e se extingue como obra dum pirómano
revoltado com a terra infértil, que foi seu berço,
alimentando esse calor como um mitómano
Fogo, que é chama, mas será cinza ...
como a dos homens que nunca chegarão aos céus!
Fogo que vem do nosso interior e nos marca a pele
e nos queima roupas e destrói véus.
Marcas que ficam ... como ficaram em mim,
da terra ardida, esbatida em labaredas,
que desenham silhuetas vampíricas, nessa mesma terra,
mais parecendo esbatidas e loucas veredas.
Não foi um sonho ...
Não foi o vento que as trouxe ... nem as levou,
nem a humidade dos rios, mares ou lágrimas, que as secou,
mas uma imensidão que apareceu do nada e as emurchecou .
Há sempre um fogo imenso ... intenso ...
Corpos carbonizados ... feitos de cinzas incolores,
que o Sol um dia as pincelará,
com matizes de desamores quiçá glorificadores.
Xistosa – José torres
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