O VIDEIRINHO

sábado, março 29, 2014

COPOS, GALANTEIO E SEXO

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E mesmo sem querer, tudo acaba girando em redor do sexo. 

Mortificas-te no ginásio para que as “garinas” se fixem em ti. 

Gastas balúrdios em roupa para que as “garinas” se fixem em ti. 

Vais para os copos para que as “garinas” se fixem em ti. 

Trabalhas para pagares o ginásio, as roupas, os copos e assim, de certo modo, também trabalhas para que as “garinas” se fixem em ti. 

E os copos, o beber, é a tua forma de afogar essa timidez congénita. 

Cada sábado sais com o teu grupo de amigos e ao terceiro JB no boteco de sempre, acercas-te de uma qualquer “garina” que se coloque a jeito e tentas entabular uma conversa jovial e sorris, porque sabes que essas covinhas as põem loucas. 

Só ás vezes é que a “garina” se deixa levar e acaba sucumbindo e tu acercas-te e beija-la. 

 

E ás vezes, quando o “amasso” sabe a pouco e vive só, num andar compartido, convida-te para que subas. 

E pode dar-se o caso de aplicares o teu arsenal de fantasias, dás-lhe duas ou três quecas mercenárias sem a olhares nos olhos e, quando ela adormece, partes. 

Sais a porta e procuras um táxi. 

Pode ser o meu.

E agora, a partir do assento traseiro, sorris e, volta e meia, franzes o sobrolho. 

Recordas com todos os detalhes o bonito que foi o processo com esta fulana cujo nome não te recordas. 

Outro novo triunfo na vida sexual de Charlie Harper, pensas. 

Mas rapidamente chega o vazio: e agora fazer o quê? 
Partir para outra? 
E o que me trará a seguinte? 
Mais do mesmo? 


Copos, galanteio e sexo. 

Copos, galanteio e sexo. 

A loira de há um par de semanas, a de cabelo curtinho do mês passado, a morena de há apenas dez minutos. 

Colecção de experiências sexuais. 

Metê-la num sem fim de buracos sem alma, metê-la no nada uma e outra vez, zero + zero + zero. 

Trabalhas para pagares o ginásio, para pagares a roupa, para pagares os copos, só com a única intenção de somar zeros e depois chegas a casa dos teus pais e metes-te na cama de todo uma vida, a mesma que te viu crescer e pensas: amanhã mais do mesmo. 

Só sexo consentido e sem sentido. 

Só isso.
12MAI2013
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2 comentários:

Anónimo disse...

Torres, esta foi das melhores descrições sobre a solidão que já li.

abraço

Margarida

Jose Torres disse...

"Margarida"

A solidão pode ser um vazio… um nada… como o calor ou o frio… é uma ausência palpável. Incluso a ausência do nós próprios. Procedermos como autómatos (execução de actos sem participação da vontade) é uma "solidão compartilhada" com nós próprios.