O VIDEIRINHO

sábado, março 22, 2014

TOQUE DE ILUSÃO

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De quando em vez aborreço-me de ler junto à piscina, que não possuo e de tocar piano, que não sei, no salão principal, que não existe, assim sendo, desço até à catacumba que é a cave, que não há, e acomodo-me no meu sofá Chester vermelho, que é uma miragem, e delicio-me com um whisky Macallan 1946, que nunca chegarei a provar, deleitando-me com o que me proporciona um móvel: o segredo da minha vida, o que maiores alegrias me deu, este sim, um "ser vivo". 

 

Como me tranquilizam, como me dão razão ao que sou… 

 

Todos vivem agora, mais e melhor comigo, que quando passavam os seus anos apegados a um rosto estranho, a uma existência que não escolheram. 

 

Onde melhor que aqui! 

 

O cinema tem-me feito muito mal. 

 

E é que, a qualquer pessoa com coração, pode ser frio, desagradável e condenável vê-los dançar naqueles néons de um azul celeste, com tanta elegância e dignidade, procurando nos meus olhos o que eu encontro neles: a possibilidade duma história; a que nunca tive com a mulher que nunca quis olhar-me.

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4 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Olhar elas olham, apalparem é que é mais difícil.

Anónimo disse...

Li 2 duas vezes.Percebi. A grande curiosidade no entanto foi ir espreitar o sofá Chester vermelho. Adorei!

Margarida

Jose Torres disse...

Táxi Pluvioso

Mas é necerssária substância...

Jose Torres disse...

Anónimo - Margarida (ainda não sei quem é esta “bellis perennis”)

Dois olhos devolvendo um olhar morto.
Sou assim; coleciono olhos humanos até que a polícia se inteire.
Mas um dia deixarei de tocar piano, ler e beber e então sim, descerei à cave (catacumba) e voltarei e encapsular o meu segredo.