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Todos os dias arrastava um imenso saco de lixo.
Vinha de parte nenhuma e ia a nenhuma parte.
E todos o olhavam enquanto exibiam o cão, tomavam um café ou uma cerveja ou coçavam os tomates.
Ele, no entanto, nunca lhes devolveu o olhar.
Os seus olhos fincavam-se no solo e os seus passos, tal como os seus braços, só se empenhavam em avançar penosamente com tudo o que escondia aquele saco.
E como nos contos com mau fim, um dia, deixou de passar por aquelas ruas.
Desde então, como se necessitassem substituir um costume, começaram todos a olhar-me, a mim, enquanto arrastava como podia uma existência sem nada de novo que dizer, que fazer, que escrever, que contar.
Vinha de parte nenhuma e ia a nenhuma parte.
E todos o olhavam enquanto exibiam o cão, tomavam um café ou uma cerveja ou coçavam os tomates.
Ele, no entanto, nunca lhes devolveu o olhar.
Os seus olhos fincavam-se no solo e os seus passos, tal como os seus braços, só se empenhavam em avançar penosamente com tudo o que escondia aquele saco.
E como nos contos com mau fim, um dia, deixou de passar por aquelas ruas.
Desde então, como se necessitassem substituir um costume, começaram todos a olhar-me, a mim, enquanto arrastava como podia uma existência sem nada de novo que dizer, que fazer, que escrever, que contar.
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