O VIDEIRINHO

terça-feira, março 25, 2014

NUVENS INSANAS

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Se volto a olhar o céu, cairá sobre todos nós. 

Demasiadas nuvens, demasiado belas, demasiado perto dos nossos sótãos, dos néones do Natal. 

Quase lambem os nossos cabelos. 

Ameaça o céu desabar-se, parece. 

Melhor não o olhar, que eu não sou Pessoa

Logicamente. 

Houve nuvens iguais no meu sonho de ontem à noite. 

Só recordo, de ontem à noite, essas nuvens e o que me deram. 

Cinzentas, irregulares, com toda a chuva que cabe nas suas entranhas, ou seria cor-de-rosa?. 

Um sonho de nuvens que parecia uma pose ante a vida, uma declaração de intenções. 

Um sonho tão meu como o despertar abrupto e acre que o acompanhou. 

 

Porque naquelas nuvens, naquele espectáculo sem relógio sobre a minha cabeça (espectáculo ao mesmo tempo desorientado e equilibrado) me senti mais Eu, ou pelo menos, mais tranquilo e conforme com o meu Eu, mais humano, mais regurgitado e ironicamente gargalhado, menos dubitativo que neste mundo desconchavado que, ao abrir os olhos esta manhã, só me trouxe maus pensamentos, um silêncio de voz, um labirinto no meu mapa, um veneno nas minhas entranhas, uma canção em francês e um céu real que ameaça ruir e acabar com o que somos: o irreal céu de nuvens dos nossos olhos fechados.
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