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Num
instante a sua visão tornou-se tão aguda como a de um abutre.
Escarafunchando no
lixo encontrou um par de sandálias e um chaveiro quase novo.
Deixou o chaveiro,
calçou as sandálias de salto alto, caminhou três quarteirões e deteve-se frente
a uma conhecida boutique.
Já por outras vezes tinha sentido uma estranha
comichão para estar sozinha.
Um vira-latas passou a escassos centímetros das
suas sandálias caras e brilhantes.
Decidiu-se a entrar, ainda que fosse unicamente
para ver os vestidos, casacos e chapéus de sonho.
A porta estava fechada, girou
a maçaneta, mas não pode entrar no estabelecimento; sentiu que quem a observava
através do vidro da montra, se ria dela.
Então recordou-se do chaveiro.
Voltou
atrás, mas quando regressou á boutique não havia nada, só um cão que lhe mijou
em cima.
Ela não logrou queixar-se, pois os manequins são inamovíveis.
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1 comentário:
Oh Torres, eu juro que deixei um comentário aqui hoje de manhã mas agora não está. O que teria eu feito?
Bom aqui vai de novo:
Ter ou não ter a chave, sempre a mesma questão mas parece-me ser irrelevante porque para mim, o importante não é a chave mas sim, a vontade que temos ou não, de chegar onde queremos e de ficar.
(agora escrevi um comentário mais curtinho mas o conteúdo permanece)
Margarida
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