O VIDEIRINHO

sexta-feira, março 28, 2014

DEVANEIOS

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Num instante a sua visão tornou-se tão aguda como a de um abutre. 

Escarafunchando no lixo encontrou um par de sandálias e um chaveiro quase novo. 

Deixou o chaveiro, calçou as sandálias de salto alto, caminhou três quarteirões e deteve-se frente a uma conhecida boutique. 

Já por outras vezes tinha sentido uma estranha comichão para estar sozinha. 

Um vira-latas passou a escassos centímetros das suas sandálias caras e brilhantes. 

Decidiu-se a entrar, ainda que fosse unicamente para ver os vestidos, casacos e chapéus de sonho. 

 

A porta estava fechada, girou a maçaneta, mas não pode entrar no estabelecimento; sentiu que quem a observava através do vidro da montra, se ria dela. 

Então recordou-se do chaveiro. 

Voltou atrás, mas quando regressou á boutique não havia nada, só um cão que lhe mijou em cima. 

Ela não logrou queixar-se, pois os manequins são inamovíveis. 
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1 comentário:

Nadir disse...

Oh Torres, eu juro que deixei um comentário aqui hoje de manhã mas agora não está. O que teria eu feito?
Bom aqui vai de novo:
Ter ou não ter a chave, sempre a mesma questão mas parece-me ser irrelevante porque para mim, o importante não é a chave mas sim, a vontade que temos ou não, de chegar onde queremos e de ficar.

(agora escrevi um comentário mais curtinho mas o conteúdo permanece)


Margarida