O VIDEIRINHO

domingo, março 16, 2014

DINHEIRO = FELICIDADE???

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Abre qualquer diário em qualquer página à sorte. 

Lê qualquer secção de Sociedade, ou chama-lhe Gente, ou Tendências, ou Pessoas, ou Famosos, ou seja lá o que for, ou ainda revistas do coração. 

Verás que todas, absolutamente todas, intuem numa só mensagem: o dinheiro dá a felicidade. 

Ireis ler histórias de gatas borralheiras que se casam com armadores (navais), de humildes matrimónios agraciados com o euromilhões, estudantes com lábia que vendem por fortunas as suas ideias, listas Forbes, desempregados que ganham concursos na TV, ou as origens humildes de J. K. Rowling antes de escrever o seu primeiro Harry Potter, mulher cuja fortuna já supera a mesmíssima rainha de Inglaterra. 


Fixa-te nesta palavra: fortuna. 

Aos muitos zeros chamam-lhe fortuna. 

O mau é que ao leres estas notícias não podes evitar emocionar-te: se eles puderam eu também poderei. 

Dinheiro. 

Aparecem em fotos sorrindo. 

Dinheiro. 

Posando no (imenso a par de labrego) salão da sua casa. 

Dinheiro. 

Associas: triunfo = dinheiro. 

Evolução = dinheiro. 

Golpe de sorte = dinheiro. 

Felicidade = dinheiro. 

Jamais verás nas notícias de um agricultor alentejano a explicar o segredo da dita. 

Jamais verás os gráficos de antidepressivos em função dos rendimentos.

Isso não vende. 

Só vende o dinheiro, ou melhor ainda, a ilusão de possuí-lo. 

A esperança do triunfo, evolução, golpe de sorte, felicidade plena = dinheiro. 

 

Eu agora ganho o dinheiro que necessito para manter-me (não será bem assim depois do assalto que o governo fez a pensões e salários, mas isso é outra conversa…). 

Um par de viagens, no meu táxi, por aí e uns 'biscates', são o meu enfezado património. 

Adoro o meu trabalho e sinto-o por ti, amigo Forbes, mas não gosto de luxos. 

Tão-pouco jogo regularmente na lotaria por causa do meu medo irracional a que me saia e me converta, sem querer, como tantos outros, num completo imbecil. 

Gosto da cerveja, mas não é cara. 

Gosto dos teus beijos, esses são gratuitos. 

E logicamente, fazer amor, é felicidade. 

E ler tão-pouco é caro se renunciares ás primeiras edições encadernadas em "pele de roubo". 

 

E dar umas risadas. 

Rio-me muito. 

E falar. 

E escutar quem tem algo bacana para dizer. 

E escrever por cima do passado. 

Não se necessitam grandes somas para nada disto.

Não quero mais. 

Não necessito mais. 

Que não me tentem vender mais. 

Chegou o momento de dizer que o dinheiro me aborrece, que os jornais me aborrecem, que as revistas que revelam um único estilo de vida, um único objectivo, aborrecem-me. 

Sei que o dinheiro é necessário, mas não tanto. 

Nem quinze quartos de banho, nem iates fálicos, nem bolsas Louis Vuitton para o iPad. 

Saúde, cabeça, arte e alma. 

Isto é tudo.
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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

O dinheiro não dá felicidade, compra-a, o que é ainda melhor.