O VIDEIRINHO

sábado, março 01, 2014

LAPSOS

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Aquele dia não se concluiu na hora vinte e quatro. 

Os relógios começaram a patinar no vazio de um tempo incógnito e misterioso. 

Milhões de humanos, ante a desprogramação televisiva e o caos horário dos meios de transporte, fugiram a pé para um futuro que não figurava escrito. 

Quando ás duas e vinte e três se restaurou o horário correcto, apanhou-os fora das coordenadas temporais válidas. 

Foram considerados legalmente desaparecidos, fizeram-se funerais massivos e, como emotiva homenagem, esse dia passou a considerar-se festivo. 

Por decisão administrativa, instituiu-se oficialmente uma Jornada Anual da Ausência. 

Em cada aniversário celebrava-se a comemoração. 

Ás vinte e quatro em ponto, em honra aos ausentes, paravam-se os relógios durante duas horas e vinte e três minutos. 

Amigos e familiares dos fugitivos juravam que, nesse lapso de tempo, aqueles apareciam outra vez, vestidos com a mesma roupa de então, semblante distraído, aparentemente (in)felizes, como se nada tivesse acontecido.
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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Devia ser o relógio do Portas, ele todos os dias lhe dá corda.