O VIDEIRINHO

sábado, março 15, 2014

TU E EL@S

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Presta atenção à mulher que agora viaja no assento traseiro do meu táxi. 

Escuta a camuflagem da sua voz. 

Fixa-te na maçã-de-adão. 

E nesse queixo. 

E nesses pulsos. 

Salta à vista que nasceu num corpo equivocado. 

Mulher por dentro e homem por fora. 

Talvez se confundisse o invólucro na distribuição. 

Ou Deus fuma crack, mas o que importa o motivo? 

Bendita cirurgia em qualquer caso. 

Agora tenta meter-te nela. 

Na sua cabeça. 

Na sua alma sempre virgem de cirurgiões. 

No que foi a sua infância ou pior, a sua adolescência. 

Muda o teu corpo por um corpo do sexo oposto. 

Desnuda-te e explora essas zonas diferentes. 

Sente a rejeição reflectida no espelho, essa estranha claustrofobia para ti mesmo. 

 

Odeia-te por fora e observa como os demais também te odeiam. 

A gente estúpida odeia tudo aquilo que não entende. 

Assim reforçam o seu neurónio: isolando-o. 

Agora, é indiferente que sejas gay, lésbica ou heterossexual, pensa em ti. 

No teu próprio corpo. 

Gostas ou simplesmente o assumes? 

Mudarias alguma coisa? 

Os teus peitos, os teus lábios, o teu ventre? 

O teu timbre de voz? 

Os teus gemidos? 

Os teus ataques de ciumes? 

As tuas úlceras? 

O teu passado? 

Talvez tu não sejas, também, “trans-tu-mesmo”? 

Por acaso tu não crês, às vezes, que nasceste num mundo equivocado?


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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Tem graça, também tenho estado a escrever sobre os homens vestidos de mulher, a propósito de Paulo Portas, não que ele seja desses, é pura coincidência.