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Presta atenção à mulher que agora viaja no assento traseiro do meu táxi.
Escuta a camuflagem da sua voz.
Fixa-te na maçã-de-adão.
E nesse queixo.
E nesses pulsos.
Salta à vista que nasceu num corpo equivocado.
Mulher por dentro e homem por fora.
Talvez se confundisse o invólucro na distribuição.
Ou Deus fuma crack, mas o que importa o motivo?
Bendita cirurgia em qualquer caso.
Agora tenta meter-te nela.
Na sua cabeça.
Na sua alma sempre virgem de cirurgiões.
No que foi a sua infância ou pior, a sua adolescência.
Muda o teu corpo por um corpo do sexo oposto.
Desnuda-te e explora essas zonas diferentes.
Sente a rejeição reflectida no espelho, essa estranha claustrofobia para ti mesmo.
Escuta a camuflagem da sua voz.
Fixa-te na maçã-de-adão.
E nesse queixo.
E nesses pulsos.
Salta à vista que nasceu num corpo equivocado.
Mulher por dentro e homem por fora.
Talvez se confundisse o invólucro na distribuição.
Ou Deus fuma crack, mas o que importa o motivo?
Bendita cirurgia em qualquer caso.
Agora tenta meter-te nela.
Na sua cabeça.
Na sua alma sempre virgem de cirurgiões.
No que foi a sua infância ou pior, a sua adolescência.
Muda o teu corpo por um corpo do sexo oposto.
Desnuda-te e explora essas zonas diferentes.
Sente a rejeição reflectida no espelho, essa estranha claustrofobia para ti mesmo.
Odeia-te por fora e observa como os demais também te odeiam.
A gente estúpida odeia tudo aquilo que não entende.
Assim reforçam o seu neurónio: isolando-o.
Agora, é indiferente que sejas gay, lésbica ou heterossexual, pensa em ti.
No teu próprio corpo.
Gostas ou simplesmente o assumes?
Mudarias alguma coisa?
Os teus peitos, os teus lábios, o teu ventre?
O teu timbre de voz?
Os teus gemidos?
Os teus ataques de ciumes?
As tuas úlceras?
O teu passado?
Talvez tu não sejas, também, “trans-tu-mesmo”?
Por acaso tu não crês, às vezes, que nasceste num mundo equivocado?
A gente estúpida odeia tudo aquilo que não entende.
Assim reforçam o seu neurónio: isolando-o.
Agora, é indiferente que sejas gay, lésbica ou heterossexual, pensa em ti.
No teu próprio corpo.
Gostas ou simplesmente o assumes?
Mudarias alguma coisa?
Os teus peitos, os teus lábios, o teu ventre?
O teu timbre de voz?
Os teus gemidos?
Os teus ataques de ciumes?
As tuas úlceras?
O teu passado?
Talvez tu não sejas, também, “trans-tu-mesmo”?
Por acaso tu não crês, às vezes, que nasceste num mundo equivocado?
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1 comentário:
Tem graça, também tenho estado a escrever sobre os homens vestidos de mulher, a propósito de Paulo Portas, não que ele seja desses, é pura coincidência.
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