O VIDEIRINHO

quinta-feira, março 13, 2014

SORTE


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Apesar de saber que as probabilidades estatísticas me superavam em excessivas progressões e que me abalizavam, tal como a qualquer outro, um quase seguro perdedor, eu, sabia que algum dia ganharia o prémio maior. 

Para começar, não sou um qualquer. 

Ao longo da minha vida venho vencendo adversidades, pelo simples facto de contar com a fé e a persistência necessária para obter resultados positivos. 

Restava-me a tendência de alcançar a riqueza e do meu campo profissional, ainda que tenha uma reforma digna, não podia esperar que me caísse no colo uma fortuna. 

Inclusive tinha-me comprometido a não cair na má administração e em dispêndios como as que cometem a maioria dos ganhadores. 

 
Nem tão-pouco seria vítima de enfarte pelo desbordo emocional de ganhar; tudo foi previamente calculado e antecipei-me manter-me sereno e além do mais, dar um meio sorriso como a da Mona Lisa e continuar avante com a minha existência livre de ir a qualquer lugar para comer ou viajar e, para lá de tudo, mantendo o meu triunfo em absoluto segredo, ajudaria anonimamente os seres queridos mas não, convertendo-os em meus parasitas, nem voltaria a ser alvo de invejas ou candidato a sequestros na minha família. 

Um dia foi dia, cobrei os milhões, vi com desmesurada satisfação que se tinha cumprido todas as minhas esperanças. 

O máximo que comentei com a minha mulher foi a seguinte pergunta: 
Sabes o que me preocupa mais no dia de hoje? 

– O que é? disse-me ela. 

– Nada! respondi-lhe.
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