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Apesar
de saber que as probabilidades estatísticas me superavam em excessivas progressões
e que me abalizavam, tal como a qualquer outro, um quase seguro perdedor, eu, sabia que algum dia ganharia o prémio maior.
Para começar, não sou um
qualquer.
Ao longo da minha vida venho vencendo adversidades, pelo simples
facto de contar com a fé e a persistência necessária para obter resultados
positivos.
Restava-me a tendência de alcançar a riqueza e do meu campo
profissional, ainda que tenha uma reforma digna, não podia esperar que me caísse
no colo uma fortuna.
Inclusive tinha-me comprometido a não cair na má administração
e em dispêndios como as que cometem a maioria dos ganhadores.
Nem tão-pouco
seria vítima de enfarte pelo desbordo emocional de ganhar; tudo foi previamente
calculado e antecipei-me manter-me sereno e além do mais, dar um meio sorriso
como a da Mona Lisa e continuar avante com a minha existência livre de ir a qualquer
lugar para comer ou viajar e, para lá de tudo, mantendo o meu triunfo em
absoluto segredo, ajudaria anonimamente os seres queridos mas não, convertendo-os
em meus parasitas, nem voltaria a ser alvo de invejas ou candidato a sequestros
na minha família.
Um dia foi dia, cobrei os milhões, vi com desmesurada
satisfação que se tinha cumprido todas as minhas esperanças.
O máximo que
comentei com a minha mulher foi a seguinte pergunta:
– Sabes o que me preocupa
mais no dia de hoje?
– O que é? disse-me ela.
– Nada! respondi-lhe.
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